‘Ativista que luta pelos direitos da imprensa’

NO ESTADÃO

Julian Assange diz considerar WikiLeaks uma organização que deve lutar pelo direito de informar e publicar informações

LIMA – O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, afirmou nessa segunda-feira, 17, durante a 67ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que se considera “um ativista que luta pelo direito da imprensa a publicar informações”.

“Nós somos uma organização de ‘imprensa livre’ e lutamos pelo direito a publicar e a informar e, nesse sentido, somos uma organização ativista, porque lutamos pelos direitos da imprensa”, assegurou Assange em uma videoconferência com os participantes de um dos painéis da assembleia, realizada em Lima.

Em sua apresentação, o fundador do WikiLeaks justificou a publicação na internet dos documentos diplomáticos ao dizer que tomou essa decisão porque alguns meios se negaram a difundi-los com a intenção de evitar que fossem publicadas informações falsas sobre eles.

“Nós quisemos evitar que fossem geradas histórias falsas em torno de documentos falsos, e também era muito importante que todas as pessoas mencionadas nesse material pudessem ver uma cópia autorizada, tudo o que fora dito sobre eles”, explicou.

Assange opinou que o jornalismo feito em países em desenvolvimento “é melhor” que o exercido nos Estados Unidos e na Europa, onde, em sua opinião, a censura é mais forte.

O fundador do WikiLeaks, que é processado por delitos alheios à distribuição de informações, participou do painel “Wikileaks e News of the World: dois fatos que tiveram impacto no mundo e mudaram a percepção sobre a informação e o papel da imprensa na sociedade”.

Sobre o caso do News of the World, Assange avaliou que o semanário inglês teve uma posição “antiética” ao publicar informações obtidas mediante grampos telefônicos, mas disse que não se soma aos ataques feitos contra a publicação.

A posição de Assange foi questionada por vários dos participantes, sobretudo por publicar os documentos sem nenhuma edição e pôr em risco a identidade de suas fontes.

O editor adjunto do The Washington Post, Jackson Diehl, enfatizou que Assange não é um jornalista e tampouco o WikiLeaks é uma organização jornalística. ”Ele se chama assim (jornalista) por razões legais. É um intermediário que prestou informações valiosas, mas é um terrível jornalista”, avaliou Diehl.

Além de Assange e Diehl, participaram do painel José Manuel Calvo, do diário El País, da Espanha, e Bob Rivard, do San Antonio Express News, do Texas (EUA).

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