‘Eu era senhora. Agora sou jovem’, diz Roberta Sá sobre seu novo álbum

Roberta Sá mostra sua segunda pele

Por Lívia Machado Do G1, em São Paulo

Inspirada na obra da escritora Hilda Hilst, cantora mostra faceta sensual. Após os 30, ela se diz à vontade para fugir do samba e se arriscar mais.

Saem de cena os tons rosados do figurino e a postura recatada, ora senhoril e por vezes infantil. Em seu novo álbum – “Segunda Pele” – Roberta Sá canta sobre (e com) malícia. Para ela, a mudança faz parte do seu processo de inovação.

“Eu era mais senhora e ao mesmo tempo, meio menina, doce. Roupa rosa, cenário rosa”, disse ela, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (17), em São Paulo.

“Depois que completei 30 anos ganhei uma caixinha de liberdade e permiti ser mais vaidosa e sensual. Agora sinto que posso me apresentar de uma forma madura, sem tantos medos”, completa.

Durante o período de maturação do trabalho, Roberta leu livros da obra de Hilda Hilst (1930 – 2004), escritora, poeta e dramaturga brasileira. As histórias de amor da escritora contaminaram o processo criativo e de libertação, concluídos no disco – o quinto da carreira – que será lançado no dia 24 de janeiro nas lojas de todo o país.

“É um livro que eu recomendo. Fez parte de todo o processo do novo álbum, me inspirou demais. O disco tem essa coisa jovem, do flerte, da lua, primeiro beijo e do amor.”

Novos caminhos

Além de investir em roupas mais sensuais, Roberta optou por fugir do samba, que a consagrou. Queria mostrar um produto mais abrangente e diferenciado. Quase pop. Ela conta que tinha um atalho fácil para dar sequência e fazer uma espécie de “Que belo estranho dia para se ter alegria 2”, um dos seus álbuns de maior sucesso.

“Tinha em minhas mãos um repertório bem similar ao segundo disco. Mas eu queria propor algo novo ao meu público. Como ouvinte, eu não gosto de trabalhos repetidos, acho chato.”

Para tentar fugir da mesmice musical, buscou canções inéditas de novos compositores. Rubinho Jacobina, Moreno Veloso, João Cavalcanti são alguns de seus fornecedores. Embora tenha priorizado um material fresco, concedeu espaço a duas regravações especiais: “Deixa sagrar” e “No arrebol”.

Sucesso de Caetano Veloso lançado por Gal Costa no Carnaval de 1970, “Deixa sangrar” fazia parte do repertório de Roberta quando ela cantava em bailes pré-carnavalescos. A releitura remete a tal fase, e coloca a letra de Caetano para dançar frevo.

“Eu adorava cantar essa música. Era um desejo antigo, sempre tive vontade de gravar, mas não conseguia encaixá-la nos outros discos. Agora deu certo.”

“No arrebol”, música do sambista Wilson Moreira, foi a primeira canção garantida no disco. Roberta revela que queria gravar algo do mestre de qualquer jeito. “Quando recebi a versão em reggae fiquei encantada. É linda demais, foi um presente.”

Conexão

Ao soltar as rédeas, e mostrar mais até do próprio corpo, Roberta também resolveu testar sua voz em outro idioma, o que achava arriscado no início de sua carreira. “Desde o primeiro disco eu tenho vontade, mas sentia que era precipitado. Estava me lançando como cantora, era muita coisa pra querer abraçar. Nesse disco, achei que era viável. Procurei pelo Drexler e ele topou na hora.”

Roberta conheceu o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler em 2004. Assistiu ao show do músico no Rio de Janeiro e se encantou pela qualidade e gentileza do rapaz. “Fiquei admirada com a voz doce, o jeito dele. Faz parte de uma nata de compositores novos, jovens, que eu gosto muito. Ele é quase brasileiro.”

Drexler não apenas compôs “Esquirlas”, musica inédita para Roberta, como aproveitou sua passagem pelo Brasil em 2011 para gravar ao lado da cantora. “Ele vinha para o Rock in Rio e eu o convidei para o duo. Ficou lindo.”

Comida caseira

O trabalho que pretende simbolizar a segunda pele da cantora ainda mostra um lado autoral. Roberta ajudou a compor a música “No bolso”, feita por ela e pelo marido, o músico e compositor Pedro Luís, em uma conversa no sofá de sua casa.

Embora tenha gostado do resultado, se sente mais confortável no papel de intérprete. Acredita que compor é uma função superior, digna de músicos como Chico Buarque, Edu Lobo e Tom Jobim. “Minha educação e influência musical me deixaram com um padrão muito alto. Acho que compor é coisa para esses músicos geniais. Sou muito crítica e julgo bastante meu trabalho.”

A turnê do novo disco começa no dia primeiro de março, em Salvador. Roberta ainda se apresentará no Recife (03/03), em Natal (04/03), no Rio de Janeiro (10/03), em Porto Alegre (16/03), Curitiba (17/03), Florianópolis (18/03) e São Paulo, ainda sem data confirmada.

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