“Ervas Daninhas” – nada nos surpreende

“A cinefilia dos cineastas franceses do pós-guerra é simpática. Alain Resnais, aos 87 anos, continua fiel ao cinema americano. Em “Ervas Daninhas”, o personagem principal vai a uma reprise de “As Pontes de Toko-Ri”, dirigido por Mark Robson, em 1955, com William Holden e Grace Kelly. Na saída da sessão, creio que é o narrador quem diz que “quando saimos do cinema, nada nos surpreende” (cito de memória e não tenho cópia do filme que permita conferir).

Sem querer ser maldoso, diria que a frase se aplica ao cinema do próprio Alain Resnais. Desde “O Ano passado em Marienbad”, nada nos surpreende. Apesar da literatice, revejo com regularidade “Noite e bruma” e “Hiroshima, meu amor”. Tenho um amigo que abomina “Noite e bruma”. Discordo dele e continuo vendo “Hiroshima, meu amor” com interesse. Agora, de lá para cá, com exceção de “A Guerra acabou”, que nunca mais revi, o cinema de Alain Resnais me escapa inteiramente.

A palavra que me ocorre, pensando em “Ervas Daninhas”, é tolice. Uma tolice aplaudida e premiada, eu sei. Concordo que os cineastas longevos merecem homenagens e que é ótimo que possam continuar a fazer filmes. Mas serem levados a sério é outra coisa.

Como sempre, encenado e filmado com elegância, o filme parte de um encontro fortuito entre George, um personagem cuja atividade é difícil entender, e uma dentista histérica que tortura seus clientes e pilota aviões. O comportamento de ambos é errático, e as tentativas feitas por Alain Resnais, de instaurar uma certa ambiguidade no relato, parecem resultar da necessidade de remendar um roteiro malfeito.

O que faz “Ervas daninhas” ser exibido no Brasil? Fica aqui o registro da minha perplexidade”. Eduardo Escorel, no seu blog na Piauí (aqui)

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