“Solidão”

Deífilo Gurgel

Com quem festejarei minha chegada,
à terra onde nasci, ao chão comum,
se todos já partiram, um a um,
levados pelo Vento, para o Nada?

Com quem dividirei minha risada,
se não encontro mais, aqui, nenhum
dos velhos companheiros de jornada,
que o Vento arrebatou, frágeis anuns?

De que vale perguntar à Morte
Por que os levou, para que Sul ou Norte,
Se a Morte não responde à indagação?

Um dia a Morte, monja silenciosa,
me levará também, morto, entre rosas,
para a outra margem desta solidão.

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 17 de janeiro de 2011 11:25

    Retifique aí, Tácito:”Um dos grandes artesãos…”

  2. Jarbas Martins 17 de janeiro de 2011 11:11

    Um dos grandes artesãos do nosso verso, ao lado de Henrique Castriciano e Zila Mamede e, mais recentemente Homero Homem e Nei Leandro de Castro.

  3. gustavo de castro 17 de janeiro de 2011 11:04

    poema forte

  4. Danclads Lins de Andrade 16 de janeiro de 2011 13:50

    Solidão, silêncio… A solidão progressiva e o silêncio indiferente da morte.

    Magnífico poema a desnudar a morte e como, aos poucos, ela vai entrando em nossa vida.

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