0,07%

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Um professor grevista da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) fez as contas e descobriu que os pouco mais de 10% de reajuste cobrado pela categoria representam apenas 0,07% da folha de pagamento do Estado. Isso não é nem a décima parte do que o governo faz parecer e ainda assim, tem muita gente esclarecida contra a greve dos professores.

Já disse aqui uma vez que só acha que um professor universitário ganha muito quem não conhece o salário de um deputado – de um político. Não apenas o salário, mas todas as vantagens que compõem os provimentos dos homens públicos que dizem nos representar.

Tenho certeza que muita gente iria chiar se fosse aprovada uma “verba de planejamento professoral” destinada para comprar projetor multimídia, computador, tablet, ipod; um recurso extra para melhorar o guarda-roupa e passagens aéreas para participar de congressos e eventos científicos. Mas ninguém diz nada com um parlamentar que tem mais que isso e ainda engorda a conta bancária negociando propinas com empresas de fachada e bicheiros.

Aliás, estou citando o professor porque é ele o assunto em questão, mas poderia existir uma verba também para o gari comprar protetor solar, luvas com proteção especial, roupas mais leves para amenizar o sol; para a empregada doméstica contratar babás para suas crianças pequenas, cremes para diminuir a química do sabão na mão, tratamento contra varizes por ficar o dia inteiro em pé varrendo, limpando e cozinhando; para o agricultor não ter que depender da chuva e não precisar mudar de profissão quando a fome aperta.

Verba para todo mundo, ou então ninguém. Para reduzir essa matemática vergonhosa que faz o salário de um parlamentar representar o de 344 professores.

Não consigo conter a indignação ao ver gente comum, trabalhador como nós, ficando do lado do governo e contra o servidor público, que mesmo sendo em número maior, representa a minoria.

Neste dias, ouvi uma servidora reclamando das greves que se espalham pelo Estado, mas era uma juíza. Geralmente quem ganha tão bem quanto um político se esquece que ainda existem 16 milhões de miseráveis e 10% de analfabetos, 40% de analfabetos funcionais, neste país e que esse povo todo precisa do professor, universitário ou médio, para sair dessa situação. Mas infelizmente, mesmo nessas condições, o índice dos que punem pela igualdade social, pelos mais fracos e iguais, é tão pequeno quanto o do impacto do reajuste do professor da UERN na folha de pagamento do governo: 0,07%.

Filho de Apodi/RN é Jornalista, assessor de imprensa e eventos do Instituto do Cérebro da UFRN. Membro do coletivo independente Repórter de Rua, articulista no Jornal de Fato (www.defato.com) e organizador da Revista Cruviana (www.revistacruviana.blogspot.com).rinas & Urubus (www.aspirinasurubus.blogspot.com). [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Márcia Pinto 25 de maio de 2012 10:50

    A educação só é lembranda na hora da campanha, depois ela é colocada à deriva. Não existe gasto com educação, existe investimento e isso nossos políticos não querem!

  2. Anchieta Rolim 23 de maio de 2012 12:27

    Concordo com você J. Paiva. E tem mais, segundo o IBGE, dos profissionais com curso superior aqui no país da corrupção que tem a menor remuneração, são os professores.

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