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Os 10 melhores filmes de suspense disponíveis na Netflix

O catálogo da Netflix está repleto de filmes dos mais variados gêneros, agradando a uma ampla variedade de assinantes. E um dos que mais se destaca não apenas no serviço de streaming, mas também no cinema em si, é o suspense. Também não é para menos: além de ter Alfred Hitchcock como um de seus mestres, o gênero tem uma série de filmes que entraram para a história e marcaram muita gente em algum momento da vida.

Pensando nisso, listamos os 10 melhores filmes de suspense para assistir na Netflix. Entre clássicos e títulos mais recentes, os filmes a seguir servem tanto para expandir o repertório de vocês de alguma forma quanto para serem revisitados e reviverem momentos de tensão.

10. The Witness

Kyu-Jang Cho, o estreante diretor de The Witness, demonstra um potencial dos mais vistosos para um primeiro trabalho. E é perceptível em filmes produzidos para uma plataforma de streaming global (ou quase isso), por mais que as culturas sejam diferentes, que existe uma certa busca pela uniformização do cinema. Apesar de ser um fato um tanto quanto triste ver as linguagens do cinema sendo diluídas e formando uma única singular, por outro lado é possível reconhecer traços exclusivos difíceis de serem exterminados por essa globalização artística.

No filme, um homem comum testemunha um assassinato cruel e fica preso em circunstâncias fora de seu controle.

9. The Fury of a Patient Man

Para fãs de suspense, o final de The Fury of a Patient Man pode parecer um tanto quanto previsível. Mas o filme se difere dos demais da lista por não alicerçar o seu suspense em reviravoltas. O que o diretor espanhol estreante Raúl Arévalo guia é um roteiro (escrito por ele mesmo e pelo também debutante David Pulido) que jamais julga seus personagens. É uma história que, por si só, é uma grande personagem. Na verdade, ela é a vilã, é uma marcha inevitável e destrutiva.

Vencedor do Prêmio Goya de 2017 em quatro categorias – Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (para Manolo Solo, o Santi no filme), Melhor Estreia na Direção e Melhor Roteiro Original – Tarde para la ira (o título espanhol) é, provavelmente, o ponto mais fora da curva da lista. Não por permanecer entre gêneros ou se encaixar em outros, mas por não se tratar de algo clássico ou fechado e acabar por ser um recorte, um conto aberto… em direção ao tormento.

8. Rastros de um Sequestro

Quando Yoo-seok (Mu-Yeol Kim) retorna sem memória dos 19 dias que passou sequestrado, ele está transformado em um homem diferente. Então, Jin-seok (Ha-Neul Kang), seu irmão, decide perseguir a verdade por trás do sequestro.

Contornado por um suspense mais racional do que emocional (como boa parte dos filmes coreanos), Rastros de um Sequestro é um filme que pode deixar o espectador atônito. Se a execução talvez não seja tão acertada, as reviravoltas do roteiro são de se engasgar (cuidado) e o conceito – a estrutura do filme em si – é genial.

7. Jogo Perigoso

Baseado em obra de Stephen King e premiado em festivais de terror, especialmente pela atuação de Carla Gugino (a Olivia Crain da ótima série A Maldição da Residência Hill – nova dica), esse filme dirigido por Mike Flanagan (de Hush – A Morte Ouve – outra dica) acompanha Jessie e sua tentativa de apimentar seu casamento em uma casa remota (uma convenção do gênero). Inesperadamente, seu marido morre e ela, algemada ao estrado da cama, inicia uma luta para sobreviver.

No limite entre gêneros – tanto que está em nossa lista de terror –, Jogo Perigoso é criativo o suficiente para fazer o espectador mais empático não desgrudar os olhos da personagem de Gugino e torcer para que toda a situação passada por ela chegue ao fim.

6. Um Contratempo

Um Contratempo parece beber de algumas das melhores fontes que retratam crimes perfeitos, como o próprio Hitchcock e Agatha Christie, além de ter uma evolução progressiva que traz muito dos melhores suspenses de Brian De Palma e uma dinamicidade fácil que se assemelha aos bons textos de Sidney Sheldon.

A verdade é que Um Contratempo é construído com muita racionalidade, amarrado com cuidado e tem uma tensão crescente constante. Cheio de reviravoltas, o filme espanhol do diretor Oriol Paulo, conscientemente, engana, reengana e engana novamente. Ele faz o coração do espectador acelerar e, sabiamente, tem uma leve despretensão, no sentido de que precisa que o público deixe de lado o que tem como verdades possíveis e aceite se submeter a uma história construída para entreter.

Como foi finalizada a nossa crítica sobre o ele: É um filme excepcional, que depende, sim, do grau de aceitação de quem estiver o assistindo. Pode ser, também, um exercício cardíaco bem interessante, porque, aceitando-o, o coração vai acelerar. E vai ser sem piedade.

5. Ilha do Medo

Investigações criminais, quando nas mãos de bons diretores, sempre acabam se transformando em obras acima (ou muito acima) da média. Por essa perspectiva, Ilha do Medo é um dos trabalhos mais subestimados de Martin Scorsese (de O Irlandês).

Nele, a investigação do desaparecimento de um assassino que escapou de um hospital para criminosos com problemas mentais transforma tudo em uma insanidade.

O conceito de Scorsese parece ser, na prática, dar uma pitada de loucura ao público na construção de uma unidade extremamente formal, mas pouco convencional.

O filme tem um elenco estelar, com Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley, Max von Sydow e Michelle Williams.

4. O Estranho

Depois de realizar Cidadão Kane, Orson Welles continuou levando para o cinema filmes atemporais e que têm uma ligação extremamente forte e influente com a linguagem. O Estranho, sendo um dos menos conhecidos do diretor, é, também um filme noir dos mais subestimados e deve pouco a, por exemplo, a obra-prima A Dama de Shanghai.

No filme, um investigador da Comissão de Crimes de Guerra viaja para encontrar um famoso nazista. Como em todas os trabalhos de Welles, a forma de contar a história caminha em paralelo à própria história.

O Estranho é uma das muitas aulas de cinema deixadas pelo diretor americano.

3. Seven: Os Sete Crimes Capitais

Construído sobre (e sob) o clichê da dupla formada por um policial veterano e por um novato irrequieto que se une para uma perseguição, Seven: Os Sete Crimes Capitais não tarda para demonstrar que o lugar-comum está somente nesse aspecto. Já nas cenas iniciais, a direção de David Fincher apresenta seus protagonistas com tanta sutileza e consciência que nem mesmo um tabuleiro de xadrez pode passar despercebido. Enquanto o detetive Somerset (Morgan Freeman) é apresentado como alguém regrado, racional (vide o tabuleiro), organizado (seus objetos, meticulosamente dispostos, comprovam) e de poucas expressões faciais (uma construção certeira do Freeman), Mills (Brad Pitt) surge de modo repentino em cena, mascando um chicle e sorrindo (quase que ironicamente) ao se apresentar.

É uma obra-prima. Pela idade (25 anos), um jovem clássico… e dirigido por um dos melhores diretores contemporâneos, que ainda tem dois outros suspenses excepcionais no catálogo da Netflix: Garota Exemplar e o remake Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres.

2. Tubarão

Tubarão é um clássico que parece sempre atual. Sendo um dos primeiros trabalhos de Steven Spielberg, o filme já trazia todo o estilo entertainer do diretor que, aliado aos seus sempre sugestivos comentários sociais e à sua competência artística, acabou criando ou redefinindo o conceito de blockbuster.

Além disso, a composição de John Williams para a trilha sonora é das mais emblemáticas da história: um intervalo simples, entre duas notas, substitui a aparição do tubarão durante mais de dois terços das pouco mais de duas horas de duração. Sabemos que o bicho está presente e quem indica isso é a música.

Tubarão é um filmaço, um clássico, um trabalho que moldou o cinema em mais de uma camada.

1. Psicose

Alfred Hitchcock era um manipulador. Ele foi um dos diretores mais efetivos na história do cinema a utilizar a linguagem do cinema para construir algo muito seu, a fazer algo que, no final das contas, tornou-se ele mesmo. Lá se vão quatro décadas da sua morte, mas seus conhecimentos de imagem e de som permanecem manipulando praticamente tudo o que é feito na criação de suspense.

Psicose, nesse sentido, é uma obra-prima irretocável; um clássico, pai e mãe de muito o que viria na sequência dentro do gênero. A direção praticamente invasiva e com todas as características de voyeurismo até a cena mais conhecida do filme (o assassinato no chuveiro) também é curioso. Hitchcock, como manipulador localiza e desorienta o espectador. É um dos filmes mais aclamados da carreira de um cineasta com várias obras-primas.

Menções honrosas

Talvez seja injusto listarmos algumas menções honrosas de fato, já que não existem verdades objetivas ou absolutas quando se fala de cinema. Sendo assim, faremos as menções a seguir em tom de indicação, do mesmo modo que fizemos a lista principal:

  1. The Looming Storm: porque trata de um homem demitido, desesperado, caçando um serial killer e é um excepcional exemplar do gênero.
  2. The Invitation: porque pode ser, de alguma maneira, muito inquietante em sua invasão de privacidade.
  3. El Desconocido: porque é o típico filme de cronômetro: ou você faz em um tempo predeterminado ou você morre… no caso, explode.
  4. Secuestro: porque, além de ser escrito pelo Oriol Paulo (do e Um Contratempo), pode deixar o espectador tonto com a possibilidade de suspeitar de tudo e de todos.
  5. O Guardião Invisível: porque, além de ser mais uma confrontação com um serial killer, em alguns pontos lembra a obra-prima O Silêncio dos Inocentes (de Jonathan Demme,), especialmente por trazer uma inspetora que lida com seus próprios fantasmas como contraponto.

Ficam, então, as indicações e o espaço dos comentários para acréscimos e tudo o que desejarem. Sem dúvida, como sempre ao fazer uma lista, foi dolorido, mas tenho certeza que vocês conseguirão complementar e enriquecer tudo o que está aí.


Texto originalmente publicado no Canaltech

 

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