10 perguntas para o pesquisador Manoel Onofre Jr.

1– Manoel Onofre Jr., fale-nos do seu mais novo trabalho, publicado recentemente, “Humor no Conto Potiguar”.
Como eu digo em nota introdutória, não se trata de uma antologia, mas de uma coletânea temática, que se propõe a dar uma amostra do conto de humor, em nosso Estado. Organizando-a, selecionei tão somente contistas publicados em livro, já que, nestas condições, eles poderiam ser melhor avaliados do ponto de vista histórico e crítico. Preocupei-me, igualmente, em distinguir humor de humorismo, de modo que, interessando-me apenas humor, deixei de lado causos e anedotas. A obra reúne quinze contistas, desde os veteranos José Pinto Júnior e Augusto Severo Neto até os novíssimos Carlos Fialho e Carlos Onofre. Todos peritos na arte de contar uma boa história e fazer rir.

2– Qual escritor, do passado, você gostaria de convidar para um café?
Levando em consideração não apenas a obra literária, mas também a figura humana do autor, eu convidaria Mário de Andrade para tomar um café com tapioca, e, em meio ao bate-papo, pediria que ele me falasse da sua amizade com Câmara Cascudo e me dissesse o que achou da Serra de Martins, quando a visitou, em 1928.

3– Uma obra inesquecível?
“Crime e Castigo”, de Dostoievski talvez seja o melhor romance da literatura universal, depois do “Dom Quixote”, de Cervantes. Sua leitura me marcou profundamente.

4– Uma música?
Nenhuma composição musical me tocou tanto quanto a “Rhapsody in Blue”, de George Gershwin. Mas, depois de escutá-la inúmeras vezes, já não me dá o mesmo encanto das audições iniciais. Ainda assim, é “a minha música”. Gershwin, que muitos musicólogos consideram ser o maior compositor norte-americano, conseguiu a façanha de fundir jazz e música sinfônica. E, como se não bastasse, criou “Porgy and Bess”, a ópera negra, não menos genial.

5– Um lugar memorável?
A cidade de Martins, no alto de uma serra paradisíaca, onde vivi os meus verdes anos. Gilberto Amado, grande memorialista, disse ter pena de quem nunca foi menino de engenho. Pois eu não trocaria minha serra de infância por engenho nenhum deste mundo.

6- Um filme?
Fico indeciso entre duas obras-primas de Billy Wilder: “Crepúsculo dos Deuses” (drama) e “Quanto Mais Quente Melhor” (comédia). Billy Wilder é um dos meus diretores favoritos, ao lado de Alfred Hitchcock, Federico Fellini e poucos outros.

7– Se um ET surgisse na sua frente e solicitasse: “Manoel Onofre Jr., leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
A ninguém, pois não tenho líder. No entanto, se o ET insistisse no pedido, eu o levaria a Antônio de Souza, escritor e político potiguar, que morreu há 61 anos (tudo é possível para um ET), deixando a fama de ser o homem público mais honesto de toda a História do Rio Grande do Norte. Sob o pseudônimo Polycarpo Feitosa, Antônio de Souza escreveu cinco romances e um livro de contos, todos de boa qualidade. Grande homem, causaria ótima impressão ao ET.

8– Em sua opinião, que tipo de Arte tem mais se destacado no Rio Grande do Norte na atualidade?
Sem dúvidas, a literatura. Pena que os nossos bons escritores não tenham conseguido projeção nacional.

9- Na atualidade têm surgido muitos escritores, e crescido assombrosamente a publicação de livros no Estado. Como separar o joio do trigo?
Parece-me que cerca de 70% da produção literária do nosso Estado, na atualidade, nada mais é do que joio, e, em muitos casos, joio da pior espécie. Com o advento do offset e da informática, facilitou-se muito a publicação de livros. Resultado: poetas e escritores de gaveta danaram-se à procura de um lugar ao sol; perderam o pudor. Uma enxurrada literária, nunca antes vista em nossa província, vai se avolumando cada vez mais. Há muito lixo nas águas desse rio cheio, de barreira a barreira, mas, passada a enchente, alguma coisa boa há de ficar pelas margens…

10- Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
Só um? “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, tido e havido como a melhor interpretação do Brasil – o povo, o país, a nação sob a ótica do sociólogo e historiador social.

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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