10 perguntas para o escritor e jornalista Cefas Carvalho

1-Que leitura é imprescindível no seu dia-a-dia?
Por dever de ofício (e vício) as notícias jornalísticas dos veículos de imprensa, tanto nacionais como potiguares, embora esta tarefa obrigue cada vez mais a triagem e checagem de informações, vide a crise, digamos, moral, pela qual passa o jornalismo de massa. Em termos de literatura, me obrigo diariamente a ler ficção, livro de romance ou conto. Quanto à internet e sua facilidade e presença quase onisciente, leio textos (poesias, contos, análises) de amigos poetas e literatos e de jornalistas que admiro.

2-Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
Não teria como recomendar um, até porque cada tipo de leitor gostaria ou precisaria de um tipo de leitura. Para uns, recomendaria Hemingway e sua secura, sua forma cartesiana e lacônica de enxergar a literatura e a vida. Para outros, recomendaria, pelo contrário, Saramago e sua verborragia e desapego às normas tracionais de escrita literária. Mas, a todos recomendaria Machado de Assis, essencial para quem quiser se aventurar neste estranho universo das letras. Para consumo de literatura produzida em solo potiguar, não hesitaria em recomendar Zila Mamede para quem for.

Cefas Carvalho, em 1999
Cefas Carvalho, em 1999
3-O que lhe dá mais prazer no processo de escrita?
Acredito que o processo embrionário, no caso de romances e contos, de planejar o cronograma e escolher os nomes dos personagens, e também, claro, o parágrafo final. No caso de poesias, tenho especial satisfação com os versos escritos em guardanapos ou blocos de anotações em mesa de bar sob eflúvios de barulho e música alta.

4-Um livro inesquecível?
Entre dez ou doze que me marcaram, tenho uma relação especial com “O fio da navalha”, do inglês Somerset Maugham, que li pela primeira vez com 15 anos, que me iluminou em relação tanto à temática (um homem que procura o sentido da vida) como em relação à narrativa, à forma. Mas, haveria menções honrosas para “O lobo da estepe”, de Hermann Hesse, “Sobre heróis e tumbas”, de Ernesto Sábato e “O sol também se levanta”, de Hemingway, igualmente inesquecíveis.

5- Uma música inesquecível?
Pergunta mais difícil de ser respondida de todo o questionário, rsrs. Tenho pelo menos vinte músicas que me marcaram a ferro e a fogo. Em tendo que escolher uma, por razões totalmente passionais e pessoais, seria “Don´t leave me now”, da banda Supertramp.

6-Qual escritor, do passado ou do presente, você gostaria de convidar para um café?
Hemingway. Sempre Hemingway. Mas, no caso em vez do café seria cerveja e rum e falar de literatura só se sobrasse tempo após os papos sobre pescaria, caçadas, aventuras, touradas, esporte, viagens e Paris, sempre uma festa.

7-Se um ET surgisse na sua frente e solicitasse “Cefas Carvalho, leve-me ao seu líder”, à quem você o levaria?
A Michel Temer, Eduardo Cunha ou José Serra na expectativa que ele o levasse para seu planeta distante e nele fizesse experimentos. Ah, claro que teríamos que incluir potiguares nesta lista de nada ilustre de “líderes” a serem abduzidos, como o senador potiguar José Agripino Maia, aquele que combate incansavelmente a corrupção enquanto responde a inquérito no STF e recebe propinas.

8-Existe jornalismo cultural no Rio Grande do Norte?
Existe sim, de forma imperfeita, mas existe e neste processo a internet e redes sociais tiveram grande papel até pela diminuição progressiva dos jornais impressos. Vide sites como o Substantivo Plural, o Chaplin e o Apartamento 702, entre outros, aqui no RN.

9-Cefas, como você observa a nossa atual situação política?
Um carrossel de emoções. E de horrores. Não vou relativizar nem minimizar as coisas: está em curso um golpe de estado parlamentar e constitucional (e judiciário, não esqueçamos), mas, ainda assim, golpe de estado. Não há outro termo para se referir a plutocratas e congressistas suspeitos apearem no poder uma presidenta eleita com 54 milhões de votos e que não cometeu crime algum. No entanto, as mobilizações populares mostram que há luz no fim do túnel.

10-Fale-nos de sua mais recente conquista literária, “Premio Sesc de Poesia”.
Tratou-se da menção honrosa com o poema “Sismologia”, pelo qual particularmente tenho bastante apreço, no Concurso Carlos Drummond de Andrade, realizado pelo SESC-DF em 2015 e que resultou em belo livro com os vencedores, cujos exemplares tive a honra de receber há poucas semanas.

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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