10 perguntas para o escritor e jornalista Sávio Hackradt

1- Sávio Hackradt, algum motivo especial fez você escolher a área do jornalismo?
Foi em um momento da minha vida quando estava envolvido com muita leitura que decidi fazer jornalismo. Pouco antes de decidir fazer o vestibular na UFRN, estava indeciso entre o Direito e o Jornalismo. Optei pelo Jornalismo. Achava que sabia escrever e podia mudar o mundo com a força da palavra. Ledo engano.

2- Onde foi a sua estreia como jornalista?
Comecei na Televisão Universitária de Natal (TVU). Ali, comecei a entender a força da imagem. Depois, fui para o Diário de Natal, ser repórter de polícia. Vi de perto a tragédia humana nas delegacias de Natal. Fiquei um mês como repórter policial, saí para editoria de cidade e depois fui ser repórter político. Foi como repórter político que mais me identifiquei. Conheci todas as lideranças políticas do RN da década de 1960 até os dias atuais. Hoje, vejo que o RN continua no século passado na política. A tragédia política se instalou no RN. Entra ano e sai ano, com eleições a cada dois anos, e o RN se mantém firme no atraso político.

3- Você fez uma tentativa com a poesia, em parceria com Carlos Gurgel, nos conte um pouco dessa fase.
Uma aventura na adolescência. Carlos Gurgel é poeta. Fui apenas um aventureiro. A rebeldia estava no ar. Natal vivia grande efervescência na música, poesia, literatura e me meti a besta. Garças a Deus tive autocrítica para bater em retirada. Não passo de um leitor mediano de poesia. Admiro aqueles que leem muito, o que é culto sem ser pedante. Sou capaz de ficar horas ouvindo alguém falar com conhecimento sobre os mais variados temas. Sempre aprendo alguma coisa.

4- Quais seus escritores preferidos?
Pablo Neruda, Rainer Maria Rilke, Cecilia Meireles, Jorge Fernandes e tenho sempre perto de mim o livro “Os Elementos do Caos” do poeta Miguel Cirilo. Miguel foi um grande amigo, que conheci desde criança; ele, na minha casa, conversando com meu pai e minha mãe. Foi Miguel quem me ensinou a olhar para as estrelas e se encantar com a beleza do Universo. Ficava horas ouvindo Miguel falar.

5- O que você considera mais difícil na carreira de jornalista? Qual a característica fundamental de um bom jornalista?
O equilíbrio. O homem não tem equilíbrio. O homem só vê um lado. Aquele que mais lhe agrada. O bom jornalista luta pelo equilíbrio, mesmo sabendo que não vai alcançá-lo.

6- O brasileiro lê muito pouco. Por quê?
Porque somos um país que nunca preparou suas gerações, desde a escola fundamental, para o hábito da leitura. Ler é um hábito como qualquer outro. É preciso orientar as futuras gerações desde o início da escola para a leitura da poesia, romances, contos, novelas, enfim, orientar os pequenos para o hábito da leitura. Hoje formamos analfabetos funcionais.

7- Você poderia descrever algumas semelhanças e diferenças entre a Natal da sua infância e adolescência e a Natal, atual?
A Natal de minha infância e adolescência viveu um momento muito específico da vida nacional, que foi a ditadura militar. Era um ambiente muito diferente de hoje. Sem liberdades, com muitas restrições, com muito medo. Nesse quadro, desenhava-se uma rebeldia jovem nas artes e na política. Sou grato ao tempo por ter participado desse momento difícil do Brasil, de Natal, do Rio Grande do Norte. Os dias atuais mostram uma sociedade diferente, sem o corpo a corpo, o olho no olho, mas virtual, onde a tecnologia intermedia as relações. Tempos diferentes, mas com problemas semelhantes, que se repetem ano a ano.

8- Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?
Não tenho um momento marcante. Tenho momentos que me marcaram tais como: participar com alguns poetas e artistas de movimentos culturais na cidade nas décadas de 1970 e 1980; minha eleição para presidente do Diretório Acadêmico do CCHLA da UFRN; ter sido fundador e depois presidente do Sindicato dos Jornalistas do RN e da Cooperativa dos Jornalistas de Natal; ter ido morar em Brasília por 15 anos e ter o privilégio de cobrir, como jornalista, a Assembleia Nacional Constituinte, o momento mais importante do Brasil no século passado; ter coordenado mais de 20 campanhas eleitorais no Brasil – de prefeito, governador, senador, deputado e presidente da república; ter morado 10 anos em São Paulo, feito uma pós graduação na Escola de Comunicações de Artes da USP, em Marketing Político e Propaganda Eleitoral, e, logo após concluir o curso, a USP me convidar para ser professor naquele mesmo curso, onde fiquei por cinco anos dando aulas; e por fim, ter voltado para Natal.

9- Qual dica você daria a quem gostaria de seguir a carreira de jornalista?
Leia. Leia. Leia muito. Sempre.

10- Se você pudesse indicar um livro aos leitores, qual seria?
“Os Elementos do Caos”, de Miguel Cirilo e “Livro de Poemas de Jorge Fernandes”.

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 2 comments for this article
  1. José de Castro 24 de Junho de 2016 21:26

    Conheço Savio Hackradt e Dodora desde os anos 1970, na TV-Universitária, onde fui diretor de programação e realização. Sávio sempre foi alguém inquieto e um pouco à frente de sua época. Um excelente profissional. Um bom jornalista e também um excelente homem de marketing. Parabéns pela entrevista. Abraços….

  2. José de Castro 24 de Junho de 2016 21:27

    Parabéns pela entrevista… Conheço Savio e Dodora desde os idos de 1970, na TV-U… Abraços, amigos…

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