10 perguntas para o escritor Lívio Oliveira

1- Você é colunista da “Tribuna do Norte”, escrever semanalmente para jornal é um desafio?
Permita-me, Thiago, dizer: PRIMEIRAMENTE, FORA TEMER! Quanto à sua pergunta, mais aliviado pelo dever cívico cumprido, respondo que é um desafio prazeroso. Os prazos e demais responsabilidades processuais/profissionais invadiram a minha vida de tal forma que não fica fácil manter a disciplina do envio semanal de um texto literário inédito, mesmo que curto. No entanto, essa disciplina tem sido cumprida fielmente e se faz útil para que eu aperfeiçoe minhas rotinas e não me afaste dos exercícios de prosa ou prosa poética aos quais venho me propondo. E o retorno é extremamente satisfatório. Tenho recebido comentários muito positivos acerca dos textos que tenho produzido. Acho que o espaço que conquistei já alcançou alguma importância na cena jornalístico-literária daqui, sem falsa modéstia. Já são três anos na Tribuna. Antes, de forma também sistemática, escrevi por uns dois anos no Diário de Natal. E sempre tenho colaborado com a imprensa escrita e as mídias eletrônicas. No campo “internáutico”, obviamente que o Substantivo Plural é o veículo virtual do qual mais sou próximo, tendo uma história longa e visceral com esse blog/site/portal, que é o melhor, de longe, no que se propõe a fazer no RN.

2- Qual escritor, do passado ou do presente, você gostaria de convidar para um café?
Ainda pretendo tomar um café (nada de álcool) com o grande Alex de Souza, para ouvir sua insuperável doutrina que engloba passado, presente e futuro da humanidade. Para tomar umas cervejinhas, gostaria de ter sentado à mesa com o saudoso Ferreira Itajubá, ao som de um violão, debaixo da copa de uma velha e cheirosa mangueira.

3- Uma obra inesquecível?
Acho que você fala de obra literária, né? “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, na sua originalíssima prosa; “Mensagem”, de Fernando Pessoa, em poesia imortal.

4- Uma música?
Stairway to Heaven, do Led Zeppelin. Por favor, botem pra tocar bem alto quando eu me for dessa existência para uma melhor.

5- Um lugar memorável?
Um dos meus maiores prazeres é o das viagens. Conheci lugares fantásticos na minha vida de quase meio século. Mas vou citar, na condição de “memorável”, a Fazenda Poço da Pedra, em Cruzeta/RN (Seridó velho e místico) do meu avô Miguel Pereira, onde a minha mãe viveu seus primeiros momentos de vida e onde passei períodos verdadeiramente mágicos e profundamente poéticos nas férias infanto-juvenis. Tive ali o meu “Sítio do Picapau Amarelo” particular.

6- Um filme que lhe marcou?
São muitos. Sou um apaixonado por cinema. O filme mais completo que eu posso citar é “La dolce vita”, de Federico Fellini. O meu preferido. Atualmente, ando fascinado com o cinema pernambucano.

7- Se um ET surgisse na sua frente e solicitasse “Lívio Oliveira, leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Primeiro eu perguntaria: “ – O que você tem com isso, bicho? Quem é você pra me abordar assim?”. Depois, se o ET se mostrasse um cara educado e bacana, eu responderia: “ – Alex de Souza ou, em suas licenças e férias, Volonté (como vice e interino, sem golpe)”.

8- Em sua opinião, que tipo de Arte tem mais se destacado no Rio Grande do Norte na atualidade?
Outra das minhas paixões gigantescas: A MÚSICA. A música ganhou um espaço midiático excelente. Merecidamente, diga-se. O pessoal é extremamente desejoso e tem mostrado competência e amor pela arte. Falo tanto da música popular quanto da erudita. O momento é extremamente feliz. Precisa ser valorizado também pelos governos e classe empresarial. Sou um admirador profundo do trabalho feito na Escola de Música da UFRN, que tem dado muitos frutos para o Brasil e para o mundo (e isso não é um exagero). E estou adorando o novo triunvirato do Rock potiguar: “Far From Alaska”, “Mahmed” e “Plutão já foi Planeta”. Quanto ao Rock e ao Pop, temos condições, no RN, de produzir uma cena tão rica quanto a de Brasília nos anos 80. Escrevam isso aí e confiram.

9- Como você observa as constantes mudanças, na direção, da Fundação José Augusto, por fatores políticos, isso prejudica a nossa cultura?
Evidentemente, prejudica. Tristemente, prejudica. Inevitavelmente, prejudica. Repetidamente, prejudica. Precisamos de gestão e de planejamento nesse item essencial. Sugiro aos governantes a leitura de um livro-manifesto do italiano Nuccio Ordine. Chama-se “A Utilidade do Inútil”. É um livro essencial para todos os que se envolvem em questões relativas à Cultura e à Arte.

10- Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
Depende do leitor. Se for ao meu líder, Alex de Souza, recomendo a Bíblia, três vezes ao dia. Preferencialmente, o Velho Testamento. Se o leitor for o governador do RN, qualquer um já estará de bom tamanho.

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Lívio Oliveira 8 de julho de 2016 21:21

    A honra, grande José de Castro, é toda minha, por tê-lo como amigo.

  2. José de Castro 7 de julho de 2016 18:52

    Muito bem lembrado por Lívio a questão do momento fecundo da música produzida por aqui… Na verdade, o Rio Grande do Norte sempre teve bons artistas (compositores, músicos, letristas)… Os irmãos Galvão, um Enoch Domingos e outros talentos… Fiquei muito feliz com a projeção do “Plutão já foi Planeta” (por mim teria ganho o primeiro lugar)… Abraços, mestre Lívio Oliveira… Bom ser contemporâneo do teu talento na escrita…

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