10 perguntas para o escritor Pablo Capistrano

1-Pablo Capistrano, fale-nos do seu mais novo trabalho, que será publicado agora em junho, pela Editora Jovens Escribas, “Os Corvos Chegaram para Jantar”. São contos? O titulo (Os Corvos) parece nos remeter ao Edgar Allan Poe, ou é apenas coincidência?
São contos curtos. Sete pequenas histórias (uma delas desdobrada em três partes). Giram em torno de personagens que orbitam um grande shopping center, com corvos por todos os lados. Sim… tem a ver mais com Hitchcock do que com Allan Poe, mas não há como fugir do poema, não é?

2-Sua obra anterior, “É Preciso Ter Sorte Quando se Está em Guerra” também é de contos. Há alguma semelhança com o novo livro?
São histórias mais curtas do que as que aparecem em “É preciso ter sorte”. E também tem fio temático mais evidente. Mas os elementos do estilo ainda estão lá. Humor, filosofia e essa obsessão com o fantástico.

3-Você escreve poesia, ficção, crônicas, ensaios, artigos… Alguma vertente preferida?
Se eu fosse músico seria um multi-instrumentista. Não tenho paciência para me especializar. Na verdade gosto de experimentar. No inicio do meu trabalho, no tempo do Sótão 277, costumava a misturar tudo em um texto só. Depois resolvi dividir para entender cada gênero. Quem sabe, no fim, eu volte à origem.

4-Qual escritor, do passado ou do presente, você gostaria de convidar para um café?
Preferiria tomar uma gelada com Jack Kerouack no mercado da Redinha no fim da tarde, vendo o trânsito na ponte nova.

5-Se um ET surgisse na sua frente e solicitasse “Pablo Capistrano, leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Carlos Fialho.

6-Uma obra inesquecível?
A nona sinfonia de Beethoven. Não consigo deixar de assobiar o quarto movimento. Caso clínico.

7-Uma banda-cantor (a) inesquecível?
Ian Curtis, o homem que inventou os anos 80.

8-Pablo, de que maneira, como filósofo e professor, você analisa a nossa atual situação política? Existe saída para a crise que enfrentamos?
Não há saída para se encontrar. É preciso criar a saída porque ela não está posta. Mas o cenário não é auspicioso. Ou recuperamos nossa capacidade de imaginar uma alternativa a esse modelo decadente em que a gente se encontra atolado ou vamos tender a repetir velhas formas já gangrenadas. E em uma crise repetir velhas soluções é a pior coisa que se pode fazer, porque elas fazem parte da causa da crise e não da solução.

9-Como você observa as constantes mudanças na direção da Fundação José Augusto, por fatores políticos, isso prejudica a nossa cultura?
Prejudica, porque não se consegue ter uma continuidade de políticas públicas. Mas o buraco é mais fundo. O Rio Grande do Norte tem uma elite político-econômica semiletrada. Além do mais, em um país em que parte expressiva dessa elite trata artistas como vagabundos, trabalhar com cultura se torna particularmente difícil.

10-Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
Recomendaria: “Os Corvos Chegaram Para Jantar”. A melhor coletânea de contos de shopping center já escritos em um ambiente de província. Vale a pena ler.

FOTO: GIOVANA HACKARDT

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Damião Gomes 27 de Maio de 2016 14:23

    Bom ler entrevista com gente que sabe o que diz. Gostei, especialmente, d o trecho que explica a insustentável duração dos homens, mulheres e projetos do setor cultural: “elite semiletrada”.

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