10 perguntas para a escritora Adélia Danielli

1. Como a literatura entrou em sua vida? Onde, quando e por que tudo começou?
– Acredito que a literatura foi parte essencial na construção do meu jeito de olhar e viver no mundo. Desde criança sempre como uma curiosa e satisfeita leitora, passar a escrever crônicas e pequenos contos foi um caminho meio que natural, o hábito de escrever, (não de produzir literatura) é presente na minha vida desde que fui alfabetizada, aos sete anos por exemplo, ao invés de desenhos, comuns nessa idade, eu escrevia como forma de expressar meus sentimentos, sempre fui uma criança tímida e introspectiva, creio que essas minhas características junto ao gosto por estar sozinha e o estímulo da minha mãe foram determinantes pra esse exercício.

2. “Por Cada Uma” foi sua obra de estreia (em parceria)? Fale-nos um pouco sobre ela, da parceria com Marize Castro e das participantes ilustres do livro.
– Sim, o “Por Cada Uma” é na verdade o livro de estreia de nós cinco. Eu, Isabella Maia, Iara de Carvalho, Letícia Torres e Marina Rabelo, recebemos o carinhoso convite da poeta e editora Marize Castro, por quem todas já nutríamos muita admiração, para que participássemos de um projeto com algumas mulheres que andavam produzindo na época e ainda eram inéditas. Na construção desse livro criamos e fortificamos os laços entre nós, e com a Marize, que se tornou uma querida amiga e foi muito presente na elaboração de todo projeto. Nossos encontros certamente ficarão na memória de todas nós.

3. Além da poesia, que outro tipo de arte a atrai?
– Literatura em geral, gosto de prosas poéticas, seja em contos, romances ou crônicas. Cinema e música também alimentam meus dias e são determinantes na construção da minha própria arte, embora também consuma outras expressões estas são as mais cotidianas e está tudo atrelado. Como certa vez em uma entrevista ao Antônio Abujanra disse o poeta português Luís Serguilha, “eu não acredito em influências, e sim em contaminações”, eu me contamino com a arte todos os dias.

4. Que leitura é imprescindível no seu dia-a-dia?
– Sinceramente eu não consumo literatura todo dia, há dias que não leio nada, além de notícias de jornais, ou matérias específicas sobre algo que me interesse, mas não passo um dia sem ouvir música. É uma necessidade.

5. O que lhe dá mais prazer no processo da escrita?
Quando eu termino de escrever. (risos)

6. Qual o melhor momento para escrever?
Não há um momento específico, meu processo criativo não me permite muita programação, mas é mais tranquilo se estiver em momento de solidão e silêncio, não escrevo ouvindo música, acho essa tarefa dificílima, mesmo que seja música instrumental, porque a música me leva, e quando escrevo tenho que estar completa no momento e no ato.

7. Adélia, fale-nos de “Bruta”, seu mais novo livro de poemas prestes a ser lançado.
– Bruta é um livro que considero muito forte, assim como o título sugere. Ele é o resultado de uma série de poesias que foram escritas entre 2013 e 2015 em uma fase bem intensa de sentimentos, situações e escritas. A compilação que resultou em Bruta, são apenas algumas dessa época bastante fértil e que se pode identificar muita solidão, angústia, mas também muito encanto pelo processo de produção explicitado na metalinguagem sempre presente, e uma clara evolução no meu empoderamento feminino e a minha busca pela vivência da sororidade.

8. Existem mudanças significativas na poesia de Adélia Danielli se comparamos os poemas de “Por Cada Uma” com os de “Bruta”?
– Sim, absolutamente. Porque eu própria não sou a mesma, não havia como a poesia continuar a mesma também. Há obviamente uma coisa que as liga, que não sei especificar o que é, embora desconfie que possa ser isso de continuar escrevendo pra me entender, porque acabo me percebendo melhor dessa forma.

9. E quais os planos literários para o futuro?
Ainda não sei. Sei apenas que se me for permitido pela vida continuarei escrevendo. Penso em um livro de contos, como um desafio pessoal, mas sei que a poesia estará sempre comigo.

10. Quem é a poetisa Adélia Danielli?
Uma mulher que vê na poesia o sentido e a seta à seguir. Que escreve porque precisa, e que é grata por isso.

FOTO: PEDRO ANDRADE

Comments

There is 1 comment for this article
  1. eduardo gosson 2 de Junho de 2016 9:26

    Eita RN feliz. A Poesia mora aqui . Que poeta forte: vendaval!

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