10 perguntas para o escritor e editor David Leite

1– David Leite, fale-nos do seu mais novo trabalho, publicado recentemente, Ruminar. De que tratam os poemas?
Sobre o livro Ruminar, alguns comentários foram expostos. Permita que me valha de alguns fragmentos da opinião da poetisa Rizolete Fernandes, publicada aqui mesmo no Substantivo Plural:

“O diferente nesta obra é que, no desenvolvimento do tema, o autor dotou de voz tanto vaqueiro quanto animais.

Assim sendo, na primeira parte, bois e vacas fazem digressões e análises sobre sua explorada condição de propriedade do homem. Ora se preocupam com o futuro das suas crias, ora com o ferro em brasa que em sua pele identificará seus donos.

Já na segunda parte, é o vaqueiro que toma a palavra para discorrer sobre a relação com os animais aos seus cuidados. Mas, atenção, porque aqui não se trata de uma relação usual do binômio homem/animal, vaqueiro/gado, porém de uma relação humanizada, como explícito em vários poemas…”

Atribuindo voz e sentimento ao gado, David Leite acabou por escrever um livro a um tempo criativo, bonito, enternecedor e que induz à reflexão. Variantes que, certamente, farão a diferença no mar de poesia que banha o Rio Grande do Norte, Brasil.”

2– Qual escritor, do passado ou do presente, você gostaria de convidar para um café?
Alberto Bresciani.

3– Uma obra inesquecível?
Dom Casmurro, de Machado de Assis.

4– Uma música?
“Eterno aprendiz”, de Gonzaguinha.

5– Um lugar memorável?
Salamanca, Espanha.

6– Se um ET surgisse na sua frente e solicitasse: “David Leite, leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Em literatura: Alfredo Pérez Alencart.

7– Você também é editor (Sarau das Letras). Como observa o atual movimento literário em Natal e Mossoró? A poesia ainda se destaca?
Não creio que seja tão diferente a realidade entre as duas cidades. Com destaque para um ou outro “Quixote das Letras”, que surge aqui e ali para lutar contra os moinhos (reais) da ignorância. Em alguns lançamentos, tanto numa como noutra cidade, lembramo-nos de Vingt-un que, certa vez, espantado pelo reduzido público, perguntou em que estrela andava os alunos e professores universitários que não compareciam aos eventos literários. E, como você na pergunta citou a Sarau das Letras, devo registrar que se trata de sonho (meu e de Clauder Arcanjo) em dotar Mossoró e o Rio Grande do Norte de mais uma forma de incentivo à publicação literária. Portanto, em onze anos, a Sarau das Letras já conta com considerável número de títulos publicados. E, vale ressaltar, sem dinheiro público de espécie alguma. Sobre a poesia, considero que existe um bom nível do gênero em nossa província. Mas, como disse Paulo de Tarso Correia de Melo numa entrevista: “Recomendaria que escrevam, que façam as suas coisas, que vendam o seu peixe, e o tempo vai definir o que ficará e o que não ficará”.

8– Em sua opinião, que tipo de Arte tem mais se destacado no Rio Grande do Norte na atualidade?
Não conheço tão de perto os outros segmentos para opinar abalizadamente. No meio literário, como já comentei, existe o que poderíamos chamar de “boa efervescência”.

9– Como você observa as constantes mudanças, na direção, da Fundação José Augusto, por fatores políticos? Isso prejudica a nossa cultura?
Claro. Existe prejuízo maior do que a descontinuidade de um projeto como o das Casas de Cultura, iniciado na gestão de François Silvestre?

10- Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
Dom Quixote, de Miguel de Cervantes.

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 3 comments for this article
  1. François Silvestre 5 de Agosto de 2016 2:40

    Dois craques num Campo de Belas Artes. Thiago Gonzaga, David Leite e o Substantivo Plural.

  2. Anchieta Rolim 5 de Agosto de 2016 12:01

    Verdade, Mestre François! Sinto muito orgulho por ter David Leite e Clauder Arcanjo como meus editores (Sarau da Letras). Foi graças ao Substantivo Plural e o seu criador, Tácito Costa, que eu apareci no mundo da poesia do RN, além de ter conhecido os que por aqui apareceram… só gente fina, figuras intelectuais e maravilhosas ( serei eternamente grato ao SP por ter aberto esse espaço para mim ) E o grande Thiago Gonzaga , que vem fazendo um belo trabalho de pesquisa e divulgação da Poesia Potiguar, essa que andava esquecida, mas que agora tem no trabalho de Thiago a dimensão que merece. Sem duvidas, são uns craques num Campo de Belas Arte!

  3. Pingback: BOLETÍN POÉTICO SALMANTINO (15 septiembre de 2016) Saludos de A. P. Alencart | TriploV Blog

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP