10 perguntas para a poeta Jeanne Araújo

1- Jeanne Araújo, fale-nos um pouco do seu mais recente livro, “Corpo Vadio”. Do que tratam a maioria dos poemas?
No livro tentei abordar o erótico feminino porque ainda hoje vivemos cercadas de opressão, moralismos e tabus quando o assunto é sexualidade, apesar da liberdade e autonomia que temos atualmente. Precisamos quebrar esses tabus através da criação literária e a poesia em si já é um ato de ruptura subjetiva. O erotismo está presente no nosso dia a dia, mas ainda carrega uma pesada carga de estigmas. Ele está intrinsecamente ligado ao mundo feminino: vejo erotismo quando a mulher anda na rua, quando amamenta, lava a louça ou deita na cama, não há como separar isso, como determinar onde começa e onde termina o erotismo na vida de uma mulher. Para mim, o erótico pode ter pornografia ou não, sensualidade ou não. Por isso a criação literária erótica representa um espaço de libertação e emancipação, principalmente feminina, já que sua produção literária é menor e menos divulgada. A arte não pode ser apenas entretenimento, ela tem que provocar reflexão e transformação.

2- Qual a sua maior preocupação ao escrever?
A emoção. Se eu conseguir emocionar quem ler meus textos, já terá valido a pena.

3- Qual escritor, do passado ou do presente, você gostaria de convidar para um café?
Hilda Hilst, sem dúvida nenhuma!

4- Uma obra inesquecível?
O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel Garcia Marquez

5- Uma música?
One do U2

6- Um lugar memorável?
Meu sertão do Seridó.

7- Se um ET surgisse na sua frente e solicitasse “Jeanne Araújo, leve-me ao seu líder”, a quem você o levaria?
Ao meu Pai.

8- Jeanne, de que maneira, como poeta e professora, você analisa a nossa atual situação política? Existe saída para a crise, inclusive cultural, que enfrentamos?
A situação política atual é complicadíssima, mas o bom nisso tudo é que estamos vendo realmente quem são os políticos que elegemos e o que eles fazem com o cargo para o qual os elegemos. Precisamos de reformas políticas urgentes. Não dá mais para ficarmos de braços cruzados vendo essa turma pensar apenas nos próprios bolsos e esquecer para que realmente foi eleito. Eu acredito em dias melhores sim, mas para isso, é preciso não cruzar os braços.

9- Você também escreve contos, fale-nos um pouco dessa sua faceta e nos diga qual sua vertente literária preferida?
Minha vertente literária é a poesia, mas gosto de me aventurar em outras paragens. Tenho escrito contos e crônicas e tenho um romance pronto e outro em andamento. O processo da escrita é contínuo, você só aprende a escrever, escrevendo. Não tenho a pretensão de que meus escritos sejam maravilhosos, mas como eu disse antes, se eles passarem emoção aos meus leitores, já está de bom tamanho.

10- Se pudesse recomendar um livro aos leitores, qual seria?
Recomendaria uma Biblioteca inteira, se eu pudesse. Livros te tiram das mesmices do dia a dia. Livros te salvam.

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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