11 de agosto – Ver o outro

Assisti ao noticiário televisivo sobre os dez anos dos atentados de 11 de agosto de 2001. Respeito muito a dor alheia e não endosso atos terroristas porque vitimam pessoas que não são responsáveis pelos desmandos dos governos contra os quais aqueles atos se voltam. Mas percebi que o noticiário apenas reforçava a imagem de vitimização dos EEUU, sem qualquer preocupação de explicar o contexto daqueles atos nem com populações civis de outros países que sofreram atentados similares, muitas vezes sob fogo norte-americano ou por ele apoiado.

Não pretendo inverter o jogo daquele noticiário para simplesmente demonizar os EEUU. Tenho grande admiração por aspectos da alta cultura norte-americana, considero Melville, Faulkner, Pollock, Hopper, Gershwin, Hendrix, os quadrinhos e os filmes musicais conquistas mundiais da sensibilidade. Mas não confundo essas conquistas com violências praticadas pelo apa relho de estado ianque, de Hiroshima/Nagasaki à condescendência em relação ao racismo mais deslavado.

Quando Barack Obama diz que NÓS derrotamos crise econômica, comunismo e terrorismo, nada explica. De qual comunismo ele fala. Daquilo que existiu em URSS e bloco ou do que se alega sobreviver em China e Cuba? Nada vejo de comunismo (poder popular, efetivo igualitarismo, fim de explorações) nisso aí! Quem são os NÓS que os derrotaram? O Capitalismo? Relembro os escravos bolivianos em São Paulo e seus similares asiáticos ou africanos no mundo do euro, sem esquecer dos chicanos nos EEUU. NÓS é um mundo sem jaça?

Em meus sonhos (eu tenho um sonho, como Martin Luther King), desejo um mundo onde os limites nacionais sofram auto-crítica e os alcances dos outros (outras nações, outras raças, outras religiões, outras culturas) sejam valorizados.

Rememorar o 11 de setembro de 2001 pode ser ocasião para nos superarmos, ao invés de um ritual de ressentimento.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Marcos Silva
    Marcos Silva 14 de Setembro de 2011 5:11

    Freud explica: errei o mês do atentado no título e no corpo do posto, acertei somente na despedida – último parágrafo. O mês foi SETEMBRO. Perdão, leitores.

  2. Marcos Silva
    Marcos Silva 14 de Setembro de 2011 5:11

    Erro no erro: corpo do TEXTO! Socorro!

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