15 melhores livros de poemas do Rio Grande do Norte no século XX

Poeta e dramaturgo Racine Santos

Por Thiago Gonzaga

(Uma lista alternativa)

1.   Dúvida, de Ponciano Barbosa.

2.   Um Poeta à Toa, de Antônio Pinto de Medeiros.

3.   Sete Canções da Terra, de Carlos Humberto Dantas.

4.   Cidade Íntima, de Leontino Filho.

5.   Corpo de Pedra, de Bosco Lopes.

6.   Demopoesia, de Jaumir Andrade.

7.   Tempos do Verbo, de Aécio Cândido.

8.   Falo, de Paulo Augusto.

9.   Tempo de Romance e Outros Tempos, de Maria Sylvia.

10. O Livro de Tânia, de Walflan de Queiroz.

11. Livro dos Sonetos, de Avelino de Araújo.

12. Máquina de Lavar Poemas, de João Gualberto.

13. Nevroses, de Murilo Aranha.

14. Romance da Fortaleza da Barra do Potengi, de Racine Santos.

15. A Barca de Cristal, de Edna Duarte.

Se perguntássemos a qualquer pessoa, que conheça um pouco da literatura potiguar, ela não teria dúvidas em responder que entre nossos melhores livros de poemas, estão o “Horto” de Auta de Souza, “Livro de Poemas” de Jorge Fernandes,  “Roseira Brava” de Palmyra Wanderley, “O Arado” de Zila Mamede, “O Sal da Palavra” de Luís Carlos Guimarães, dentre outros clássicos da poesia potiguar do século passado.

E entre nossos principais poetas, até o final do século passado, serão sempre lembrados, além dos referidos: Lourival Açucena e Ferreira Itajubá (com obras póstumas), Henrique Castriciano, Othoniel Menezes, Homero Homem, Nei Leandro de Castro, Deífilo Gurgel, Jarbas Martins, Myriam Coeli, Sanderson Negreiros, Dorian Gray Caldas, Paulo de Tarso Correia de Melo, Diva Cunha, Marize Castro, Alex Nascimento e Iracema Macedo.

Outros nomes se destacaram em alguns bons momentos, como Diógenes da Cunha Lima com “Instrumento Dúctil” e “Os Pássaros da Memória”, Franklin Capistrano com “Catagramas”, Miguel Cirilo com “Os Elementos do Caos”, Socorro Trindad com “Uma Arma para Maria”, João Lins Caldas com seus poemas reunidos por Celso da Silveira, Nivaldete Ferreira com “Sertania” e Francisco Ivan, com “Persona – Uma Face Perversa”.

Na chamada “Geração Marginal”, surgiram outros importantes nomes como João da Rua, Carlos Gurgel, Plínio Sanderson, Eduardo Alexandre. Na poesia de vanguarda se destacaram além de outros já citados, Moacy Cirne, Anchieta Fernandes, Dailor Varela e Falves Silva; pouco depois surgiu outra figura importante, J. Medeiros. Reforço que isso em se tratando de poesia potiguar até o final do século XX.

Evidente que, em todo lugar e em todos os tempos existiram cânones literários,  com algumas injustiças , o que é natural. Quem não lembra, por exemplo, do concurso em que Guimaraes Rosa perdeu com o seu “Sagarana”, para “Maria Perigosa”, de Luís Jardim? Equívocos, como esse, ficaram marcados para sempre na história da nossa cultura literária.

As obras constantes desta lista são livros “injustiçados”, que não tiveram seu devido valor reconhecido, porém têm muito mérito e devem ser lidos, lembrados, pesquisados por qualquer um que se interesse em conhecer a poesia norte-rio-grandense.

Vale registrar também que, graças a nossa tradição poética, na virada do século XX surgiram outros bons livros de poesia como “Passarás” de Demétrio Vieira Diniz, “Metáfrase” de Márcio de Lima Dantas, “Domingos do Mundo” de Pablo Capistrano, “Flô” de Adriano de Sousa e “Cachorro Magro” de Carlão de Souza.

Fechando o século XX com chave de ouro, Iracema Macedo publicou “Lance de Dardos”, e no mesmo período a poesia potiguar viu nascer uma geração que daria continuidade a essa tradição com nomes como os de Carmen Vasconcelos, Lívio Oliveira, Anchella Monte, Alexandre Abrantes, Cefas Carvalho, Lisbeth Lima, João Andrade e Rizolete Fernandes, poetas que, embora já conhecidos à época, só estrearam com livro solo, no século XXI.

No inicio do novo milênio, a poesia potiguar continua gerando bons frutos, com vários outros nomes, mas ai já seria outra lista, outra pesquisa.

E, em sua opinião, que livros de poesia potiguar, do século XX, mereciam estar no cânone?

Thiago Gonzaga é pesquisador.

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 20 comentários para esta postagem
  1. ALEXANDRE ALVES 23 de setembro de 2015 18:55

    Thiago, fico agora no aguardo dos melhores livros de teatro do Rio Grande do Norte no século XX. Também sugiro fazer as mesmas séries de Prosa e Poesia no século XXI. Não pare.

  2. Cellina Muniz 21 de setembro de 2015 9:23

    Diante de tanta polêmica, vou também meter meu bedelho: as classificações são meio opressivas (olha o Barthes aí, gente…) porque nunca conseguem alcançar a totalidade e complexidade de uma realidade (no caso, a poética do RN). Sendo assim, uma listagem é só uma listagem, não entendo como tem gente que ainda se alvoroça com isso, por estar incluído ou não em uma (suposta) lista de melhores poetas. Ou melhor, entendo: as nossas vaidades…
    Gosto do empenho do Thiago, sinto sincero seu entusiasmo com as letras, nomes e obras literárias do RN. E é nesse sentido que gostaria de fazer referência a um nome muitas vezes ridicularizado e esquecido pelas listagens em geral e que, independentemente do valor que possam lhe atribuir, faz poesia sim: Manoel Fernandes de Sousa Júnior, vulgo Volonté. O velho e ensimesmado Volontas, inclusive, organizou também uma antologia poética, o Lira de Viagem, de 2008. Seu último livro, Pulsar de Saudade, de 2012, prima por aquele seu estilo minimalista e imagético possível de se ver em versos como estes, que, aliás, me parecem bem sugestivos para toda essa discussão:
    “POEMA SUJO”
    A poesia/
    Não cheira/
    Nem fede.

  3. sofia alice 20 de setembro de 2015 23:13

    Thiago, faço das minhas palavras a do professor Marcos Silva, “viver é complicado”. Siga e frente, você não está fazendo mal a ninguém. Não se deixe abater por comentários, se acostume com eles. E, pra falar a verdade, eu nunca ouvi falar nesse poeta, se ele se sentiu ofendido por você ter colocado ele numa “lista de livros injustiçados”, apenas te confirmo uma coisa ; eu acabei de pesquisar, e, ele não está na Antologia de Diva Cunha nem na do professor Tarcísio Gurgel. Você deu uma canja pra ele, e ele queria mais o que? Também te digo outra coisa; não espere reconhecimento, só vão “reconhecer” o material que você esta juntando-recolhendo, daqui 50-100 anos. Bjs

  4. Edjane Linhares 20 de setembro de 2015 21:21

    Legal o seu empenho em divulgar os poetas do RN. Alguns autores mais desconhecidos ficaram visiveis, atraves do seu dedicado e valioso trabalho. O leitor agradece.

  5. Lívio Oliveira 20 de setembro de 2015 15:56

    Com tudo o que Thiago vem fazendo, está conseguindo levar adiante o projeto de uma sistematização lógica e edificante acerca das nossas Letras. Está nos trazendo aspectos interessantes (nem sempre reconhecíveis) sobre a nossa condição identitária. Isso precisa ser reconhecido. E também o seu elevado valor humano.

  6. françois silvestre 20 de setembro de 2015 10:50

    Também não gosto de listas, nem de rol de feira. Mas gosto de e admiro Thiago Gonzaga. Assim como gosto de livros, mas detesto lançamento de livros.

  7. thiago gonzaga 19 de setembro de 2015 21:05

    Tácito, desculpe, foi um momento impensado. O poeta já veio falar comigo. E pedir, inclusive pra deixar o nome dele na lista. Mas, de qualquer forma, foi uma lição pra mim, que estou começando agora nesse campo e conhecendo determinadas figuras. Não farei mais listas, nem nada desse tipo. Só peço a esse nobre poeta que da próxima vez tenha mais respeito pelo meu trabalho, e a opinião de quem lê e estuda literatura local; pq apesar de ser jovem no ramo, eu me preparei pra fazer isso: Fiz uma faculdade de Letras, uma Pós-graduação em literatura do RN e faço um Mestrado em literatura potiguar contemporânea. Além de ter formado uma biblioteca de mais de 3 mil livros do Rio Grande do Norte, ter um blog, sobre literatura local, com mais de 100 mil acessos, e já ter feito mais de cem textos, entre estudos, ensaios e resenhas sobre livros locais; dentre outros trabalhos de divulgação da nossa literatura, como a Caravana de escritores potiguares, as quintas literárias na Nobel, a Revista da Academia, dezenas de estudos que já fiz na UFRN e livros que publiquei, sobre esse povo, e é isso que ganho desses ingratos, salvo exceções. Abraços

  8. thiago gonzaga 17 de setembro de 2015 23:03

    Obg pelo sábio conselho professor Marcos, volto a dizer, vc é um exemplo pra todos nós potiguares.

  9. marcos silva 16 de setembro de 2015 19:31

    Thiago, viver é complicado. Considero um direito de qualquer escritor não querer ser citado mas também valorizo o direito de cada um citar quem quiser. Aconselho manter o post, com a ressalva de que um dos nomes arrolados se sentiu ofendido e de que não era essa sua intenção.

  10. thiago gonzaga 16 de setembro de 2015 16:26

    Caro amigo jornalista Tácito Costa, peço gentilmente para você excluir esse post, pois o poeta Avelino de Araújo se sentiu ofendido (vi no facebook) em ver o livro dele citado na lista entre os melhores livros de poemas do RN .
    Peço desculpas em público pois nao foi minha intenção ofender ninguém.
    Apenas quis resgatar e revalorizar outros bons livros e nomes da nossa poesia.
    Acredito que o fake sincero estava correto quando deixou um comentário aqui no post. Se dedicar a literatura potiguar é realmente muito complicado.

    • Tácito Costa 18 de setembro de 2015 9:23

      Amigo, rogo que pense um pouco mais antes de me pedir isso. Na minha opinião, o post deve permanecer. Não alcanço o motivo de pedido tão esquisito por parte de Avelino, mas você não escreveu nada ofensivo, pelo contrário, então não tem nenhuma lógica a despublicação.

  11. thiago gonzaga 15 de setembro de 2015 17:57

    Olá, caro amigo escritor Marcos Silva. Obg pelas palavras de incentivo.
    Vc é um exemplo pra mim,
    de pesquisador, de professor e sobretudo de ser humano.
    Marcel, muito justa a sua lembrança do Antonio Ronaldo, artista de valor da nossa terra.

  12. fake sincero 15 de setembro de 2015 9:57

    Tiago,
    sei que vc tem boas intenções
    mas vc ta catucando onça com vara curta
    falar,(ou esquecer de falar, ou falar mal do livro), de escritores potiguares causa muitos problemas aqui na terrinha
    a vaidade nao permite
    se eu fosse vc me dedicaria a estudar literatura de outro Estado,

  13. Marcos Silva 14 de setembro de 2015 0:16

    Gosto do trabalho que Thiago desenvolve e essa lista dá continuidade a seu trajeto. Prefiro evitar cânones, embora reconheça que agregam autores merecedores de atenção. Mas o contexto literário e cultural desses autores é sempre muito importante para compreender pequenas, médias e grandes produções. E os séculos e as gerações se misturam… Abraços e parabens, Thiago.

  14. thiago gonzaga 13 de setembro de 2015 14:39

    Olá, caro amigo escritor Francisco Sobreira. Você tem toda razão.
    Além, do macauense Horácio Paiva, que eu considero um dos nossos melhores poetas na atualidade, eu poderia ter citado outros bons nomes da poesia potiguar, que, embora produzam poesia de qualidade a bastante tempo, apenas publicaram livros-solo no novo milênio.
    Renato; eu conheço e tenho o trabalho da professora Cássia Matos; João Lins Caldas merece todos os louvores e méritos. Porém, eu quis também rememorar o nome do escritor Celso Da Silveira, que naquele momento fez um trabalho muito importante.
    Sofia: sobre poetas bissextos, temos vários, e a melhor parte, é que, a grande maioria, fez ou faz de maneira muito rica estilisticamente. Acredito, por exemplo, que o próprio ficcionista Francisco Sobreira, (em 2006 ele ganhou o Premio Sesc de Poesia), se encaixa nessa categoria, o Ruben G Nunes (participa, de vez em quando, de concursos de poemas, inclusive já venceu alguns), François Silvestre (publicou um livro de poemas em 1979 “Luz da Noite ao Vento Norte”), Bartolomeu Correia de Melo (um livro póstumo) e Pedro Simões,falecido em 2013, também escreveu poemas.

  15. Marcel Lúcio 13 de setembro de 2015 13:07

    Excelente lista, Thiago! Acho que faltou a referência ao nome do poeta e compositor Antonio Ronaldo, que, na literatura do RN, personifica a mais perfeita intersemiose entre música e poesia.

  16. Horácio Paiva 12 de setembro de 2015 17:18

    Sobreira,

    agradeço a referência ao meu nome e aproveito para destacar a boa ficção que você produz e que enriquece a literatura norte-rio-grandense.

    Horácio Paiva.

  17. sofia alice 12 de setembro de 2015 10:19

    Thiago !
    Sugiro citar também, para efeito de informação, alguns poetas bissextos.

  18. Francisco Sobreira 11 de setembro de 2015 11:47

    Caro Thiago,
    Nas suas observações, você se esqueceu de Horácio Paiva, que faz (b oa) poesia desde os anos 1960, mas só publicou os livros A Torre Azul e Navio de Espadas neste século. Um abraço.

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