20 promessas da literatura

Por Julie Bosman
The New York Times

De dez em dez anos, a “New Yorker” elege 20 escritores do futuro. A lista é publicada hoje.

São dez mulheres e dez homens, satíricos e modernistas, de Miami, da Etiópia, do Peru e de Chicago. E nenhum deles nasceu antes de 1970.

A “New Yorker” escolheu a sua lista “20 Under 40” (20 com menos de 40 anos) de escritores de ficção que vale a pena seguir com atenção, um grupo reunido pelos editores da revista num processo longo e secreto que provocou uma considerável ansiedade entre a jovem classe literária. A lista é publicada hoje numa edição dupla de ficção. Todos os escritores foram avisados há duas semanas que estavam entre os eleitos.

Os eleitos

Chimamanda Ngozi Adichie, 32 (foto);
Chris Adrian, 39;
Daniel Alarcon, 33;
David Bezmozgis, 37;
Sarah Shun-lien Bynum, 38;
Joshua Ferris, 35;
Jonathan Safran Foer, 33;
Nell Freudenberger, 35;
Rivka Galchen, 34;
Nicole Krauss, 35;
Yiyun Li, 37;
Dinaw Mengestu, 31;
Philipp Meyer, 36;
C.E. Morgan, 33;
Tea Obreht, 24;
ZZ Packer, 37;
Karen Russell, 28;
Salvatore Scibona, 35;
Gary Shteyngart, 37;
Wells Tower, 37.

Há mais de uma década que a revista não publicava uma lista de “20 Under 40”. A última, em 1999, incluiu algumas futuras estrelas literárias que nessa altura eram relativamente desconhecidos, como Jhumpa Lahiri, Nathan Englander e Junot Diaz. Autores relativamente consagrados como Michael Chabon, Jeffrey Eugenides e David Foster Wallace estavam também nessa lista.

A nova lista tem as suas próprias diferenças. Um número significativo de escritores não são originários dos Estados Unidos ou têm pais que o não são. Todos com excepção de dois (Obreht e Russell) estão na casa dos 30 anos. E existe um número igual de homens e mulheres, uma característica que Deborah Treisman, a editora de ficção da revista, chama “um gratificante acidente, em termos do que indica acerca de oportunidades iguais no campo literário da actualidade”. O semanário “The New York Observer” criticou a lista de 1999 por incluir apenas cinco mulheres.

Os esquecidos

Para além das suas idades, os escritores na lista nada mais têm em comum, explica David Remnick, chefe de redacção da “New Yorker”.

“Se eles tivessem demasiado em comum, isso seria bastante aborrecido”, explicou ele numa entrevista. “Isto não é um grupo artístico. O grupo é um grupo de promessas, promessas enormes. Existem pessoas ali que são muito convencionais na sua abordagem narrativa e pessoas que têm um grande ênfase na linguagem. Há pessoas que de alguma forma trazem as novidades de uma outra cultura.”

Não é segredo que publicar este tipo de listas pode ser delicado. Seja qual for a intenção, elas assemelham-se por vezes a truques de publicidade. O limite de idade, seja 25, 35 ou 40 anos, pode ser caprichoso. Depois de uma lista ser tornada pública, existe a inevitável crítica de que alguns escritores que lá estão eram demasiado famosos para serem incluídos e que outros foram injustamente excluídos.

“Para aquelas pessoas que acham que já conhecem o escritor X ou Y ou um entre 20, tudo bem”, afirma Remnick, citando Foer como um autor na nova lista “que seria, para muitos, previsível”.

O júri

O escritor Bill Buford, um antigo editor de ficção da “New Yorker” que levou a cabo a compilação da lista de 1999, diz que não se arrepende de quem escolheu para ela. “Ao juntar estes escritores e ao juntá-los com alguma autoridade e algum panache e dizendo-o, com todo o material que existe por aí, estamos a afirmar ‘aqui estão 20 a que devem prestar atenção'”, explica Buford. “É uma maneira de levar esses autores a um público maior.”

O processo começou em Janeiro, quando os editores do departamento de ficção começaram a fazer reuniões de brainstorming. Por email, pediram a agentes literários, editores livreiros e outros escritores para sugerirem potenciais candidatos

Por fim, reduziram gradualmente as possibilidades a uma lista seleccionada de aproximadamente 40 escritores. Alguns escritores de ficção conhecidos, incluindo Colson Whitehead e Dave Eggers, eram ligeiramente mais velhos para serem qualificáveis, conta Treisman.

Uma questão de contos

“É um pouco angustiante”, refere Willing Davidson, editor-adjunto de ficção na “New Yorker”. “Estamos a tentar pensar naquilo que esta pessoa já fez, mas também o que estão a fazer neste momento que podemos utilizar na revista?”

Foi pedida a cada pessoa que fez parte da lista seleccionada para produzir um trabalho escrito que pudesse ser publicado, seja um conto ou um excerto de um romance. Alguns não tinham nada para apresentar e foram retirados da competição.

“Todo o processo foi demasiado escondido num estranho mistério”, diz Russell, um dos oito escritores na lista da “New Yorker” que também esteve na lista “Best of Young American Novelists” (Melhores Jovens Romancistas Americanos) da revista “Granta”, em 2007. “É um elogio maravilhoso. Mas também existe pressão. Queremos honrar esse voto de confiança. É como um ‘obrigado por me colocares a jogar, treinador. Oh meu Deus, espero não ser um dos que se vai distrair com uma borboleta e deixar cair a bola’.”

Nos bastidores, o processo despertou previsivelmente invejas competitivas e engodos. “No fundo, toda a gente que conheço e de cujo trabalho gosto tem lutado por um lugar aqui”, conta Englander, que esteve na lista de 1999. “Se estiveres aqui, então é uma óptima confirmação. Se não estiveres, então isto não significa nada.”

Ferris, um romancista que faz parte da lista actual, apresentou um conto em Abril que começou a escrever em Fevereiro. “Sabia que se estivesse na lista, ficaria muito feliz”, confessa. “Foi uma ansiedade que está tão completamente fora das minhas mãos da mesma forma que uma crítica pode estar.”

Oito dos trabalhos de ficção dos escritores estão na edição de ficção que sai hoje; os restantes 12 serão publicados nas edições seguintes da revista.

Diaz, um dos escritores da lista de 1999, recorda que sentiu que era uma “enorme honra” mas não tem a certeza se isso provocou um impacto imediato na sua carreira. “Tinha escrito um livro de contos sobre dominicanos”, lembra Diaz. “Posso assegurar-lhes que não houve uma subida das vendas depois da lista sair.”

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