3 poemas de Jarbas Martins

O BATEDOR DE PÊNALTI

aos meus irmãos Jailson, peladeiro glorioso, e
Jackson, coração pulsando nos estádios paulistanos

Quem não o viu sequestrar na tarde o sol,
rei e vassalo em campo, o luminoso,
o de passe preciso e precioso,
gozoso instante que precede o gol;

quem não viu na batalha o temerário,
o de imortal chuteira, o matador,
o que driblou o Destino e com o suor
inscreveu na camisa o legendário ?

Ei-lo agora em obstinado drama
ante o eco apagado da torcida
e onze metros de angústia, luz e grama.

Eis em narrada súmula sua vida.
Mil câmeras desnudam o ator covarde,
o canastrão de sorte ou o  o Deus da Tarde.

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UM SONETO EM PRETO & BRANCO
ao meu irmão Jamilson, desportista por
destinação

Driblava por driblar impunemente
como quem dança, brinca, bebe e caça.
Um interiorano.Trouxe da sua praça
a mania infantil de ser contente.

A  estrela solitária e pendente,
bem mais que seu emblema,era uma farsa.
Às vezes era o cúmplice do vento
pra alegria do diabo, grão comparsa.

Jogava certo com sua vida torta,
afeito ao ledo engano e ao desconcerto
de um drible, sua arte preciosa,

e driblaria qualquer frincha ou porta,
o Além, o Intransponível, o Encoberto.
Não a vida, sua amante caprichosa.

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CANHOTEIRO
ao meu irmão Jairo, torcedor do São Paulo Futebol Clube
e admirador de Canhoteiro

Em um primeiro tempo ele driblou
Coroatá, uma trave e o campo ausente.
Driblou o Maranhão, berço insolente,
de revolto lençol que o atirou

num minifúndio de inocência e grama.
Belzebu, seu grão-mestre, o adestrou
no azucrinado ritmo de um tambor
de Mina. E maestro o fez do próprio drama.

Tirou o time. Em São Paulo um templo
erigiu o farsante ao seu não senso.
Fazia coisas do Tinhoso. Exemplo:

driblava nos limites de um lenço.
Driblou seu obscuro nome e a glória,
ignorou as leis, o mercado e a história.

Jarbas Martins

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