5 perguntas para… Eduardo Alexandre!

Quando este blogueiro começou a frequentar o Beco da Lama, pelos idos de 2004, o presidente da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências, a Samba, era Eduardo Alexandre. As recordações eram a de um Beco boêmio em points variados; festas diversas, pautadas pela criatividade e irreverência do lugar. Havia uma reclamação da carência de novos frequentadores. Os habituês tomavam conta há bons anos ou décadas. Em dez anos o cenário é totalmente diferente. Os antigos frequentadores sumiram. Um público jovem e novo ocupa os espaços do Beco. Ou melhor: o Espaço Cultural Zé Reeira. Muitas das festas sumiram ou arquejam, sem adesão. O samba passou a ditar o ritmo daquelas adjacências, e por vezes supre a ausência dA Samba. Para falar mais do antes e do agora da Samba e do Beco da Lama, Eduardo Alexandre responde às 5 perguntas desta semana, que inicialmente seria feita com o atual presidente da entidade, Dorian Lima, que preferiu o silêncio. Vejam abaixo:

Você já foi diretor da Samba e frequenta o Beco da Lama. Quais os elogios e defeitos da atual diretoria?
A Samba é uma entidade hoje com mais de 20 anos de criada e sequer tem um projeto enviado a qualquer programa de incentivo cultural. A maior parte dos integrantes da atual diretoria está ali há três gestões e alguns deles têm projetos seus, de iniciativa particular, aprovados e financiados pelo poder público. Isso demonstra que há gente que sabe trabalhar a cultura, mas não o faz em benefício da entidade. Sinceramente, não sei se cabe qualquer elogio a esta gestão. As poucas realizações que faz são mal produzidas, mal divulgadas (e olhe que tem jornalista de qualidade na diretoria) e o público presente é de dar vexame, de tão reduzido. O que se percebe é que a cada ano mais a Samba encolhe, menos faz e menor contribuição dá à luta em defesa do centro histórico. Uma lástima.

A próxima eleição acontece em maio, salvo engano. Você pretende se candidatar? Se sim, quem seriam possíveis nomes da diretoria? Se não, quem indicaria para o posto?
A Samba nasceu para ser uma agremiação recreativa, mas de responsabilidades imensas. Entidade que surgiu para ser confraria e se tornou baú de inimizades, desavenças e muito veneno destilado; a maledicência diária tomando espaços maiores a cada dia. Isso não atrai ninguém de bom senso a participar de suas ações. Eu não entendo tanta vontade de participar da diretoria e nada fazer pela entidade. Muita gente boa poderia integrar uma boa diretoria da Samba. Acho que Marcelo Veni é nome dos melhores para a Direção Executiva, mas acho difícil um produtor cultural de responsabilidade como ele querer descascar o abacaxi de malquerenças que é hoje a pseudo confraria. Sempre me dispus a ajudar no que estivesse ao meu alcance. Fazer parte de direção, não quero, não: meu tempo passou.

Qual comparativo você faz do Beco de hoje e o de uma década atrás?
Antes de surgir a Samba, o Beco era um lugar estigmatizado, mal afamado. Com a Samba, tornou-se referência cultural da cidade. Infelizmente, as últimas gestões parecem não terem entendido isso e deixaram a peteca cair, essa importância minguar.

Quem seriam as duas chapas ideais para disputar a próxima eleição da Samba? E por quê?
Acho importante que haja renovação. Que surja uma chapa capaz de vencer as dificuldades do momento e a entidade volte a ter para a sociedade a importância que um dia já teve. Particularmente, acho difícil. A tendência é que, com novo cadastramento de sócios, a coisa está dominada. Besta quem se meter a se candidatar contra uma diretoria estabelecida e que é capaz de tudo para se fazer perpetuar na pasmaceira, a despeito dos prejuízos que isso acarreta para a vida cultural da cidade. Melhor esquecer. Se para o atual diretor executivo, a Samba está de férias; para muitos, já está morta.

Recentemente Nazaré, a “dama do Beco”, foi condecorada com medalha de mérito cultural. Como se deu o processo de escolha de seu nome e quais razões foram consideradas para essa homenagem?
A escolha dos agraciados com a Medalha de Mérito Câmara Cascudo é da alçada da Assembleia Legislativa e as indicações competem aos deputados estaduais. No caso de Nazaré, a indicação veio através do presidente da casa, deputado Ricardo Motta, que, vez por outra, sai do seu gabinete, anda pelas adjacências, visita o bar e toma uma no balcão.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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