5 perguntas para… Rodrigo Bico!

O terceiro entrevistado da seção ‘5 perguntas para…’ pode ser o novo gestor de cultura do Estado. Filiado ao PT e, antes de tudo, ator e militante da cultura, Rodrigo Bico aparece como favorito em uma “lista tríplice” entregue ao futuro governador Robinson Faria para a pasta. Outros possíveis nomes encontram obstáculos. Gilson Matias largaria a regional do MinC? Fábio Lima deixaria oito anos como assessor da senadora Fátima Bezerra? Crispiniano Neto, também citado, já confirmou a este blogueiro ter outras prioridades. Outra possível indicação apontada seria o secretário de Parnamirim, Haroldo Gomes, com menos apelo que Rodrigo Bico – o ator do grupo Facetas, Mutretas e Outras Histórias está com um pé na Fundação e até já escalou um possível time para jogar em campo nos próximos quatro anos. Confira!

Seu nome é um dos mais cogitados para assumir a Secretaria de Cultura. Há alguma conversa adiantada a respeito?
Muitas pessoas do movimento cultural têm vindo conversar comigo, mas tudo de maneira informal. Ninguém do PT, partido ao qual estou filiado, nem da equipe de transição me procurou sobre esse assunto. Recebi a notícia de que meu nome estava na lista tríplice para ser entregue ao governador com certa satisfação, mas também com cuidado pra que os processos não sejam atropelados. Apesar de minha pouca idade, percebo que minha militância na área, minha experiência com mais de 7 anos como gestor de um Grupo de Teatro e de um espaço Cultural (TECESol) e o trânsito que tenho entre os mais diversos setores artísticos me credenciou para tal indicação.

Quais outros nomes do PT – que deverá ficar com a pasta – caberiam nesse posto, em sua opinião?
O nome de Gilson Matias é um nome também credenciado. Ele tem desenvolvido um bom trabalho na regional Nordeste do MinC. Ainda temos outros nomes que inclusive já passaram pela FJA, como Crispiniano Neto e Fábio Lima. E ainda um nome que ainda não foi citado, mas que desenvolve um bom trabalho na Fundação de Cultura de Parnamirim é Haroldo Gomes.

Independentemente de se concretizar seu nome ou não, quem você acha que poderiam ser as pessoas chaves para gerir a Secultrn ao lado do secretário?
O RN tem quadros qualificados para ocupar os mais diversos cargos da FJA. Não levantarei um discurso tecnicista, nem político-partidário. Acho que qualquer gestão pública tem que ser muito bem dosada entre técnica e política. Josenilton tavares é um grande técnico e tem condições de ocupar qualquer espaço numa secretaria de cultura, desde o mais alto escalão até cargos específicos. Destaco nomes como o do ator e gestor Berg Bezerra que desenvolveu um trabalho de referência nacional em Janduís/RN. Ricardo Buiú é outro nome que se qualificou em gestão pública e vem desenvolvendo um bom trabalho em Pendências/RN. Venâncio Pinheiro hoje atua na gestão do Céu de Lagoa Azul e também já atuou na gráfica Manimbú. Tatiane Fernandes já passou pela FJA e é uma produtora que a cada ano se qualifica mais pra uma gestão. Rafael Duarte é um jornalista que respira e vive a cultura do nosso estado. Temos vários jovens Produtores culturais que se formam no IFRN e que tem Mary Land Brito como professora e que também pode dar grande contribuição para gestão. Na atual gestão passaram nomes muito bons, como o de Ana Paula, Ângela, Klênia e Sanclair, entre outros. Enfim, tem muita gente boa por aí e que pode desenvolver um trabalho bacana. Cabe ao novo gestor estudar bem o perfil da equipe e encaixar pessoas com perfil técnico e político para cada cargo. Tudo isso feito de maneira democrática e transparente.

Quais as prioridades o novo gestor deve adotar?
A prioridade é criar marcos legais para que a política de cultura vire política de estado e não de governo. Entre essas coisas a gente passa pelo fortalecimento do Fundo Estadual de Cultura com vinculação orçamentária específica; criação do Conselho de Políticas culturais com divisão paritária entre sociedade civil e poder público; aprovação de forma imediata do Plano Estadual de Cultura e consequentemente a conclusão do alinhamento de nosso Sistema estadual com o Sistema Nacional de Cultura, para a partir disso podermos acessar a verba do Fundo Nacional. Deve ainda ser prioridade na nova gestão a retomada do diálogo com os mais diversos setores artísticos e culturais. A nova gestão deve estar de ouvidos abertos, com as portas abertas para tocar a política cultural que os movimentos reivindicam. Não adianta o Presidente/Secretário receber e ouvir os movimentos e não colocar em prática o que se solicita. Lembrando que conversa e diálogo são totalmente diferentes, e o que precisamos é de mais diálogo. Como exemplo disso, no início da Gestão de Rosalba a Rede Potiguar de Teatro entregou um documento qualificado e com diversas pautas à FJA, mas foi tudo engavetado e nada aconteceu. O novo gestor não deve acomodar-se como um simples secretário a endossar todas as atitudes do Governador, mas um articulador político entre o movimento cultural e a gestão estadual para buscarmos mais verbas e condições de trabalho para nosso setor. Alguns desafios, como a revisão da Lei Câmara Cascudo e a retomada da Lei do Patrimônio Vivo e também sua revisão, onde aconteça o alinhamento com a lei dos Mestres, que tramita no Congresso Nacional, que além do salário vitalício garante a salvaguarda de seu patrimônio imaterial por meio da formação de aprendizes. A retomada e o protagonismo dos Pontos de Cultura deve ser também prioridade do Governo do Estado, e foi inclusive compromisso de campanha do Governador eleito.

Quais os maiores méritos e deméritos da atual gestão? Algo a ser continuado?
A atual gestão trabalhou com condições precárias, pouca verba, pouca prioridade do governo e aceitou isso com naturalidade. Destaco que nessa gestão aconteceu algo peculiar que foi a “editalização” dos eventos, como editais para o São João e o Carnaval e pouco (quase nada) para os setores específicos. Acho que os valores para cada premiação eram pequenos. Tínhamos quantidade e pouca qualidade. A burocracia estatal é uma coisa a ser vencida. A renúncia da lei deve sair em um tempo hábil para a execução dos projetos. Ouvi de forma recorrente o atraso que sempre aconteceu nesse processo. A FJA priorizou a criação do Plano Estadual de Cultura, sendo considerado inclusive um dos melhores do Brasil, porém não foi aprovado na Assembleia. Não se teve prioridade da Governadora para que isso acontecesse. Quem participou da Conferência Estadual de Cultura sabe como foi tumultuada, parece que toda vez que temos que reunir o movimento cultural as coisas têm que acontecer de qualquer jeito, sem respeito e sem cuidado. Acho que a questão das publicações foi uma das coisas interessantes que aconteceu. O RN Criativo apesar da problemática do repasse do Governo deve ser priorizado como algo importante e de destaque para a qualificação na criação dos projetos culturais de artistas e produtores do estado. A descentralização regional da verba como está colocada na lei do Fundo Estadual deve ser continuada. Se o diálogo for estabelecido e respeitado, se as verbas da cultura não passarem por contingenciamento, se tivermos quadros qualificados (técnico e politicamente) e em sinergia direta com os anseios da sociedade, superaremos o modelo histórico de uma Secretaria que atua como uma Agência de Produção Cultural e a colocaremos como uma formuladora e gestora de Políticas Públicas e deixaremos o modelo de produção de “É-ventos” como obrigação da Secretaria de Turismo.

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