5 perguntas para… Vicente Serejo!

Quando perguntada qual gestor gostaria de ver em sua cadeira no próximo governo, titia Isaura citou o nome do jornalista Vicente Serejo – talvez nosso melhor e com certeza o mais produtivo cronista da história literária potiguar. Essa e ainda a razão de Serejo ser um crítico astuto e um intelectual de ontem e de hoje, provocaram essas 5 perguntas desta semana. O excesso de humildade na entrevista abaixo declinou este macauense que adotou a Redinha em seus textos e papos de alpendre, de algumas respostas. Mas há também boas curiosidades e apontamentos, como o convite recebido em três oportunidades para dirigir a Fundação Zé Gugu. Confira mais:

Você foi um dos jornalistas mais críticos da gestão cultural na primeira gestão de Dácio Galvão à frente da Funcarte. Como a vê neste segundo mandato, agora como secretário municipal de cultura?
Critiquei – mesmo diante do silêncio do tal jornalismo cultural – e a este também fiz duras críticas – a discriminação aos que criticavam a Prefeitura em eventos financiados pelos cofres públicos. Continuo contra, se ainda ocorrer. Reconheço que Dácio tem tentado inovar, abrir a todos os segmentos. Declarei ao caderno do Festival Literário, entrevista a Sheyla Azevedo e publicado pela Tribuna – é só fazer a consulta – que agora é preciso agenciar a presença dos nossos nomes junto ao mercado cultural nacional. O Festival é hoje o nosso melhor produto. Tem força capaz de abrir portas. Ou ainda os méritos e deméritos da atual administração estadual e ainda uma breve opinião sobre o período Crispiniano Neto. Confiram:

Nesta mesma seção de perguntas, a secretária Isaura Rosado sugeriu seu nome como próximo gestor de cultura do Estado. Aceitaria o convite?
Fui convidado por três governos – Lavoisier, Agripino e Fernando Freyre – para presidir a Fundação José Augusto. Paulo Tarcísio, Leônidas Ferreira e Valério Mesquita foram os portadores, pela ordem. Agradeci o convite e não aceitei. Ao governador José Agripino, via Leônidas, dei apoio ao nome de Iaperi Araujo, com João Faustino. Tenho
a noção dos meus limites. Até por bizarrice – se preferem assim – tenho convicção ao dizer que resisti. Não sou gestor, nem intelectual. Só gosto de ser repórter.

Qual sua avaliação dessa gestão do Estado?
Numa síntese, talvez exagerada: teve o mérito de publicar o livro ‘Asas sobre Natal’, de João Alves, o que já justificaria uma gestão inteira. E o infortúnio de não lançar ‘O Sertão de Oswaldo Lamartine’, embora pedindo que a Assembléia e a Federação das Indústrias abrissem mão da ideia. Para não citar as obras inacabadas da ‘Biblioteca Câmara Cascudo’, hoje fechada e sem data para reabrir suas portas.

O próximo secretário – ainda extraordinário – de cultura deverá ser do PT. Quais suas recordações da última gestão petista, com Crispiniano Neto?
Ser secretário de cultura exige um grande prestígio pessoal junto ao governante com governantes incultos como os nossos, sejam municipais ou estaduais. O secretário deve ter um pé firme na tradição e outro na modernidade. Nosso Crispiano foi um secretário de boa fé, mas sem prestígio junto ao gabinete de Wilma. Não soube pedir para sair, certamente por cumprir uma missão partidária, no caso, o PT.

Assim como perguntei a Isaura Rosado e ela sugeriu seu nome, quem você nomearia, caso fosse o governador, o próximo gestor de cultura do Estado?
A pergunta cairia com mais propriedade nos ouvidos de um intelectual conterrâneo, desses que pontificam na aldeia e gostam de papel com timbre oficial.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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