50 anos a mil no Vaudeville e o baile dos blasés

Estou lendo, simultaneamente, as biografias/memórias de dois barbudões da pesada. Um desses é o indefectível João Luiz Woenderbag Filho, o roqueiro Lobão, que lançou seu livro “50 anos a mil”, ano passado, pela Nova Fronteira. O outro é o Ricardo Amaral, empresário da noite, famoso pelas casas privés que abriu pelaí, mundo afora, incluindo Paris e Nova York. Amaral lançou, também no ano de 2010, o livro “Vaudeville”, que foi editado pela LeYa Brasil.

Alguém aí do outro lado dessa telinha pode até me perguntar: – E tu és doido? É? O que tem a ver o c. com as calças? Leitura mais doida e diversa…!

E aí eu vou responder: – Sei mermo não, camará! Mas, o fato é que, em vários momentos das leituras, vejo que há semelhanças nas biografias dos barbudões. Ambos curtiram a vida adoidado; viveram em meio a glamour e, eventualmente, problemas relevantes (ou relevantíssimos); criticam e ridicularizam a sociedade partindo, a meu ver, do lado de dentro, apesar de cada um ter seu estilo (e Lobão ser muito mais incisivo na crítica social e vencer a exclusão com muita dificuldade, óbvio!); tiveram envolvimento com criminosos (Lobão, com organizações criminosas brasileiras; Amaral, com a máfia novaiorquina); possuem ou possuíram ligações fortes com a classe artística, inclusive com as artísticas e exuberantes modelos; vivenciaram situações da pesada entre drogas e/ou álcool; sabem quem comeu quem; etc; etc…

Evidente que Lobão se transformou num contestador altamente rebelde e Amaral é um gozador altamente irreverente. Mas, até aí dá para encontrar semelhanças, inclusive na rara coragem de se dizer o que se deve (mas, às vezes não pode) ser dito.

Ah! Tem outro aspecto de seus livros em que parece ocorrer um uníssono: é quando querem deixar transparecer a ideia de que Chico Buarque é chato e blasé.

É! Mas, quando chego a esse ponto do livro de um ou outro, passo a página. Afinal, Chico continua sendo o único artista/intelectual deste país que tem o direito adquirido (desde o nascimento) de ser blasé. E você sabe o porquê? É porque, diferentemente de Chico, o Buarque, tem muitas outras figurinhas das bandas daqui ou de lá que só fazem mesmo é pose…e nada mais que valha a pena! Esses não podem e nunca poderão!

Né não?

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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