50 anos mais tarde

Por Kenneth Maxwell
FSP

Faz 50 anos nesta semana que os Beatles tocaram pela primeira vez em Hamburgo.

Quando chegaram à cidade portuária do norte da Alemanha, em 1960, os Beatles eram cinco -John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Peter Best e Stuart Sutcliffe-, e tocavam no Indra Club, um lugarzinho que também era casa de striptease, nos limites da zona de prostituição.

Eles viviam em dois sombrios quartinhos de depósito em um cinema próximo. Hamburgo, como Liverpool, era uma cidade áspera, batalhadora e vibrante. Foi em Hamburgo que John, Paul e George tocaram pela primeira vez com Ringo Starr e que a banda adotou seu corte de cabelo característico. Ao longo de dois anos e meio, os Beatles fizeram cinco visitas a Hamburgo, e tocaram lá 281 vezes.

Em 2 de junho de 2010, sir Paul McCartney, 68, acompanhado por uma galáxia de astros, tocou na Casa Branca. Recebeu de Barack Obama o “Gershwin Prize for Popular Song”, maior honraria conferida pela Biblioteca do Congresso por contribuição notável à música popular. Além de “Eleanor Rigby” e “Let It Be”, McCartney cantou “Michelle” para a primeira-dama.

Há algo de encorajador na longevidade de Paul McCartney. O 50º aniversário do primeiro show dos Beatles em Hamburgo chamou minha atenção, porque estou planejando comparecer ao jantar do 50º aniversário de minha classe no Saint John’s College, em Cambridge, e minha sensação era a de que comecei meus três anos de universidade muito tempo atrás.

Não estudei o Brasil em Cambridge, o que na época não era possível, embora tenha desenvolvido em 1961 um enorme desejo de visitar o país depois de assistir a “Orfeu do Carnaval”, ou “Black Orpheus”, seu título em inglês, um filme famoso também por sua música.

Os Beatles dominaram meu ano final em Cambridge. Também fizeram um filme para televisão, “Magical Mistery Tour”, boa parte do qual filmado no sudoeste da Inglaterra, perto de onde eu vivia. O filme não foi bem recebido na época, mas trazia algumas canções maravilhosas: “The Fool on the Hill” e “I Am the Walrus”, bem como “Hello, Goodbye” e outras composições memoráveis. Os Beatles fizeram sua primeira visita aos EUA em 1964, pouco antes de eu chegar a Princeton. Quando, por fim, fui pela primeira vez ao Brasil, em 1965, me orgulhava muito de apontar para as fotos dos Beatles nos jornais.

Era uma forma de identificação nacional, especialmente quando os brasileiros imaginavam que eu deveria ser português, porque tinha passado alguns meses em Lisboa e falava (mal) o português com sotaque lisboeta.

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