O PT e a Fundação José Augusto

Palácio da Cultura – onde funciona a Pinacoteca do Estado – mantido pela Fundação José Augusto

Por Tácito Costa

Mais uma vez o PT-RN aparece como favorito para assumir a Fundação José Augusto. É inegável a forte ligação que o partido sempre teve com o movimento artístico/cultural potiguar. Não tem nem comparação com os demais (PSOL e PSTU são exceções) que nutrem um desprezo acintoso pela cultura. Claro, fruto da ignorância e pobreza de espírito desses partidos, que tiveram um dia o desplante de entregar a instituição a pessoas como Paulo Macedo, Evilásio Leão e Valério Mesquita, entre outros, que contribuíram decisivamente para minar sua credibilidade, colocando-a mais de uma vez em risco de ser fechada. Da mesma forma, aqui e ali, ao longo da história, também como exceções alguns dirigentes desses partidos acertaram e colocaram as pessoas certas e deram o apoio necessário para que algo pudesse ser feito.

Não falo em programas de candidatos, lembro porque tivemos eleição recente, quando alguém do setor alinhava, por favor ou na esperança de algum cargo, ações fictícias para o segmento. Apenas para constar porque realmente ficaria mal na fita apresentar diretrizes para todas as áreas e deixar de fora a cultura.

Contudo, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa sintonia do PT com artistas e produtores não evitou o malogro da gestão do partido na Fundação no Governo Wilma de Faria. Acho que essa visão é uma unanimidade na cidade e precisa ser resgatada, até para se evitar os mesmos erros do passado. Foi decepcionante porque se esperava muito mais, justamente devido a sintonia que o partido sempre manteve com o setor.

Sim, faltaram apoio e recursos. E eu que trabalhei na FJA em duas gestões, em ambas, ligado diretamente ao Gabinete, sei bem o que isso significa. Mas isso justifica apenas uma parte da questão.

Ora, porque o partido então não entregou os cargos? Teria evitado a decepção, o desgaste e a desconfiança que hoje inevitavelmente se apresenta quando a instituição responsável pela política cultural governamental pode vir a ser entregue novamente ao partido. Não resta dúvida de que teria sido coerente e honroso o partido ter entregado os cargos quando ficou claro que não havia nenhum compromisso da governadora. Mas não, ficou até o fim e amargou um desgaste que poderia ter sido evitado.

O que se espera, quer seja o PT ou outro partido que venha a ocupar a FJA, é que a lição tenha sido aprendida. A Fundação não tem orçamento próprio, vive de pires na mão, então se não tiver um presidente forte politicamente e um governador com um mínimo de comprometimento com a cultura nada ou muito pouco será realizado.

Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. François Silvestre 25 de novembro de 2014 8:53

    No caso de Lúcifer, o inferno é o céu. O fanatismo político é tão ou mais turvante que o fanatismo religioso. Parece coisa de torcida de futebol, cuja escolha de infância nos acompanha a vida toda, com alegrias e sofrimentos. O PT tem todo o direito de querer o poder e nele se manter. É da regra política, institucionalmente legitimada. O que ele não pode é obrigar a que o tratemos como diferente. É um partido político igualzinho aos outros. Nas virtudes e defeitos. Sem tirar nem por. Ou pondo e tirando…

  2. Marcos Silva 25 de novembro de 2014 6:46

    Sobre os políticos, é frequente pensarmos que o inferno é os outros – no caso, o inferno é os políticos. Penso, todavia, que todo mundo é político – uns com cargos, outros apenas com voto e voz. Voto e voz são grandes poderes.

  3. Marcos Silva 25 de novembro de 2014 2:33

    Gostei da auto-definição de Anchieta Rolim – utópica, claro.

  4. François Silvestre 24 de novembro de 2014 16:43

    Fico só observando, como quem passou por aí sem deixar vestígio de ausência. Cuja presença nem merece destaque. Pois que da vida em cultura, nesta terra, só vale a mendicância do oportunismo. Não me arrependo, que é coisa de religião, faço autocrítica; poderia ter ficado longe dessa merda! Mesmo assim ampliei o espaço do respeito à possibilidade de interferir em cultura sem querer fazer cultura, que é coisa do povo!

  5. Anchieta Rolim 24 de novembro de 2014 15:18

    Em minha opinião (utópica é claro!), essas instituições culturais aqui do RN só funcionariam mais ou menos, se ficassem livres tanto dos políticos, quanto dos partidos políticos. Esse povo, os políticos, só sabem trabalhar na base do interesse próprios. Então, formam-se Panelas, e mais panelas, e panelas… em tornos deles. E isso é muito ruim, tanto para quem produz, como para quem admira as Artes.

  6. Paulo Dumaresq 24 de novembro de 2014 0:52

    Tácito, não creio que a causa maior do malogro do PT à frente da FJA, na gestão Vilma de Faria, tenha sido por causa da falta de compromisso da ex-governadora. Tudo bem. Também foi. Mas não o principal motivo. Os gestores do PT foram incompetentes e excludentes com a porção da classe artística que não se alinhou ao partido. Mais stalinista, impossível. O PT mostrou que não tem quadros qualificados para gerir a cultura do Estado. Igualou-se às gestões anteriores citadas por você. Por isso, vejo com preocupação os comentários nas redes que dão como certa a pasta da cultura para o partido em questão.

    • Tácito Costa 24 de novembro de 2014 14:34

      Paulo Jorge, foi uma somatória dessas coisas todas que eu e você citamos. O peso de uma delas como mais determinante para o fiasco é que pode variar de pessoa pra pessoa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo