Sobre os 100 Discos do Rock Potiguar (para ler agora, antes de morrer)

‘100 Discos do Rock Potiguar (para escutar sem precisar morrer)’ é livro pra guardar do lado esquerdo do peito para qualquer mulambo com algum apego à música, mesmo sem nunca ter balançado a cabeça nos inferninhos da cidade.

Com ele, o rock potiguar ganhou uma data oficialesca de início, uma trajetória cronológica e um guia cujos 100 álbuns destacados nos últimos 50 anos colocam o gênero tocado neste Rio Grande em seu devido lugar de importância.

Sim, alguns álbuns e bandas locais merecem o olimpo do rock nacional. E mesmo alguns rockeiros de carteirinha e ficha suja estampada com orgulho no Casarão da Ribeira, desconhecem boa parte das informações contidas nessa pesquisa, aposto.

Não à toa foi escrita por cinco marmanjos e uma distinta roqueira de boas vivências no rock: Mr. Moo esteve no enceto dos tempos do rock potiguar. Alexandre Alves percorreu/percorre décadas em bandas e conduzindo selo voltado ao gênero. Alexis Peixoto e Hugo Morais comandam o único portal especializado em rock no Estado. E se eu desconhecia Olga Costa e Jesuíno André, a ficha policial pregada na orelha do livro fornece livre acesso ao time.

Os 100 discos destacados partem da década da 60. Foi quando o rock e o roll despertaram por aqui. Um embrião com a banda The Shouters e a figura icônica de Leno se destacam neste início.

Impacto Cinco
Impacto Cinco

Para contar essa trajetória do ritmo, o professor e rockerman Alexandre Alves remonta as origens do blues e do jazz lá pelo século 18 até o famigerado rock’n roll nos anos 50 do distante século 20. E do blues ao rock de Bill Harley, em 1954, até Cauby Peixoto gravar o primeiro rock brasileiro em 1957 e o ritmo chegar neste Rio Grande ainda extasiado com o pós-guerra, empurrado pela Jovem Guarda, foi um pulo. E toda essa trajetória condensada em cinco páginas recheadas de pérolas informativas.

Sim, o RN esteve na vanguarda. Talvez se montarem lista dos 10 álbuns de rock mais cultuados do Brasil estarão dois potiguares: ‘Vida e Obra de Johnny McCartney’ e ‘Lágrimas Azuis’. O primeiro, de Leno. O Segundo, do Impacto Cinco e produzido por Leno.

Essas cinco páginas de “nota introdutória” escrita por Alexandre Alves já valem o livro. Mas na sequência vem o recheio, com os 100 álbuns destacados de forma cronológica e selecionados com capa do disco, resenha, ficha técnica, trecho de algum comentário a respeito da obra publicada na imprensa e ainda uma curiosidade sobre o álbum.

Nesses trechos de imprensa, o livro também deixa registrado alguns jornalistas atuantes na cobertura da cena rocker potiguar, como Rodrigo Hammer, Itaécio Porpino, Moisés de Lima e Yuno Silva.

Mas o mais importante é, sem dúvida, o resgate de alguns nomes esquecidos ou, diria, nunca lembrados por quem não viveu ou não esteve mergulhado naquele universo na época.

Ou quem traria à tona o primeiro álbum de rock gravado no Rio Grande do Norte pela banda macauense Sempre Alerta? E invocaria o disco Revolta dos Peixes, de um Lóla já amadurecido pós Os Vândalos e antes do embarque para Europa?

O livro conta a história do Fluidos como das primeiras bandas do rock potiguar a ingressar no cenário nacional, junto com o Cantocalismo. Relembra o primeiro álbum do heavy metal de Natal, o Whiplash Attack Volume 1, e de quebra revive a história do selo e da loja Whiplash, que embalou uma geração na década de 90.

Alguém sabia que o Croskill foi a única banda potiguar gravada no prestigiado selo paulista Rock Brigade? Ou que o Terrorzone foi a primeira banda de rock potiguar com um CD? Ou que algum dia existiu uma banda chamada Chronic Missing que colecionou elogios da Showbizz, Folha de São Paulo, Correio Braziliense e O Globo? E ainda a primeira banda feminina, chamada Darma, a gravar um disco autoral no RN? E que a banda The Automatics é recordista de discos lançados no RN com 14 ao total?

E isso porque li apenas metade do livro, até agora. Tem muita informação arretada.

Interessante também quando as resenhas posicionam a importância de cada trabalho referenciado pelo que existia de melhor no cenário nacional. “Se o álbum fosse lançado fora do Brasil, com certeza iria para a estante da World Music”. Comentários como este para o disco Zambê Crossover, de Cleudo & Bambelôcos permeiam vários outros álbuns e mostram o quão importante fomos e somos nessa trajetória do rock no Brasil.

Claro, muitas bandas ficaram de fora. Inclusas algumas lendárias como a Sodoma e o Alcateia Maldita, mas pelo simples fato de não possuírem discos gravados. Bandas decanas, como Os Grogs, além da falta de discos, falta repertório autoral para gravação. Álbuns clássicos como Esquina do Continente, de Pedro Mendes, fogem muito da proposta de registro do rock, embora alguns discos selecionados apenas trisquem no gênero.

No todo, o RN ganha mais uma pesquisa de alta importância. Além de um orgulho danado pelo Dicionário com uns 6 mil verbetes compilados pela pesquisadora Leide Câmara durante décadas, temos agora esse registro. Acredito que só um estado do tamanho do RN e, claro, com um legado relevante para registro, possui esses documentos.

Quando recebi o livro das mãos do Mr. Moo, conversamos rapidamente e sugeri a mesma turma para construir outros livros. Um Paulão Vianna, da vida, deve ter muita história para contar, também. Apenas a história que cerca Vida e Obra de Johhny McCartney já renderia outro livro, a história da Whiplash, da Solaris…

No mais, parabéns aos envolvidos, incluso bandas, rocks e roqueiros.

Comments

There are 6 comments for this article
  1. JOMARDO JOMAS 8 de Setembro de 2016 16:31

    Muito bom o livro com os registros do ROCK Potiguar e esses elogios da Showbizz, Folha de São Paulo, Correio Braziliense e O Globo à Chronic Missing foram em uma das edições do MADA

  2. Artemilson 8 de Setembro de 2016 21:45

    Como podemos adquiri-lo? Onde?

  3. Alexandre Alves 9 de Setembro de 2016 0:17

    Artemilson, o livro será lançado oficialmente no dia 23 setembro às 19h no café Between em Petropólis (em frente ao Atheneu) e somente depois ficará à venda na cooperativa cultural da UFRN. Haverá também um re-lançamento no dia 01 outubro no Espaço Duas, em Ponta Negra, durante o evento “Bazar Independente”.

  4. thiago gonzaga 10 de Setembro de 2016 0:52

    Oi, Sergio, muito massa sua noticia.
    Eu quero demais esse livro, feito por uma turma muito boa e muito seria. Nomes fortes, do porte de Alexis Peixoto e Alexandre Alves já dizem muito sobre o trabalho.Fui no lançamento que teve em Ponta Negra, mas nao achei o lugar.
    Vou no de Parnamirim. Esse livro deve estar muito bom.

  5. Sergio Vilar 10 de Setembro de 2016 16:01

    Esta, Thiago. É pra ter na estante. Mas vai estar à venda na Cooperativa, em breve.

  6. Alexandre Alves 13 de Setembro de 2016 22:27

    Informamos que a data de lançamento no Café Between, que seria no dia 23 outubro (sexta), teve que ser adiada por questões de agendamento dos autores. Todavia, confirmamos o lançamento dia 01 outubro (sábado), 16 horas, no Espaço Duas (Ponta Negra, perto da caixa d’água do disco voador) durante mais uma edição do “Bazar Independente”. Haverá bate-papo com o tema “50 anos de rock no RN” na programação, incluindo os autores e mais convidados.

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