A aftosa de todos nós

Por Laurence Bittencourt

Durante a visita do presidente Barack Obama recentemente ao país, foi servido o que há de melhor nas iguarias brasileira: uma picanha. O presidente mal tocou na carne. Penso eu, que ele fez isso, não por não gostar de picanha, mas por preocupação, pois a carne brasileira ainda não se livrou da doença da aftosa, apesar dos americanos terem acabado com essa mesma doença em 1929.

Agora um dado importante. Antes do almoço servido a comitiva, a nossa presidente Dilma Roussef, enumerou 4 produtos agrícolas produzidos no Brasil (etanol, carne, suco de laranja e algodão) pedindo aos EUA que aumentassem as importações desses nossos produtos. A intenção da Presidente foi a melhor.

No entanto, nenhum país que se preocupe verdadeiramente com a saúde do seu povo, pode aumentar o consumo de carne, adquirindo um produto com restrições sanitárias, que é o nosso caso. Meras intenções em negócios não bastam. Ainda mais em se tratando de saúde pública.

No Brasil, apenas um estado, Santa Catarina, hoje, está livre de aftosa sem vacinação. Cinco outros estados, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, ainda se encontram no estágio de “Livre de Aftosa com vacinação”. No Nordeste brasileiro, os estados do Rio Grande do Norte, Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Alagoas, produtores de carne bovina, se encontram hoje, no estágio de médio risco.

A questão é o porquê de não termos conseguido extirpar essa doença e com isso aumentarmos nossas divisas, que foi o que a presidente Dilma pediu aos EUA. Por quê? Uma das causas se deve a que em nosso país nos falta ação, e parece mesmo que o tratamento político dos problemas sempre foi mais importante do que a doença. Isso é certo? Se os Estados Unidos resolveram o problema deles em relação à aftosa em 1929, por que nós não fazemos o mesmo?

Talvez a solução para o nosso país fosse ao invés de vacinar o gado, vacinasse o povo isso em grandes campanhas pelos rádios, jornais e televisões, o que certamente seria um novo cala-boca para a imprensa não falar mal do governo. Bom, como os homens não conseguiram extirpar essa doença, a nossa esperança agora é nas mulheres. As mães de todos nós.

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