A arte de contar histórias…

Por José Antônio Rodrigues Júnior *

A arte de contar histórias e a recuperação do extraordinário da arte no cotidiano

O ato de contar histórias se apresenta como algo intrínseco do ser humano, pois está presente em todas as culturas humanas desde seus primórdios no cerca a linguagem verbal. Mesmo em organizações sociais sem escrita, o contar histórias sempre possuiu uma relevante importância para a tradição oral em preservar o caleidoscópio cultural dessas civilizações.

Faz-se importante ressaltar que as obras ditas homéricas foram legadas através dos séculos dessa maneira, até que um dia resolveu-se cravar em quistos blocos a grafia dessas obras que inauguram a tradição literária ocidental.

Em todo o mundo, nos dias atuais, essa potência criadora ou re-elaboradora do humano que toma pra si a realidade como pretexto e encurte, seja aos olhos ou aos ouvidos passivos ou ativos de um interlocutor, repleto de sensações que lhe faz ansiar pela história contada. É evidente que atualmente o cinema e a novela televisiva têm ocupado muito desse espaço, contudo, persiste a potência criadora e a vontade de contar e a vontade de ouvir.

No Brasil inteiro, ao longo de nossa breve história, temos excelentes exemplos de exímios contadores de histórias escritas e orais, mas, voltemo-nos os olhares para o nordeste que possui grande tradição nessa arte, debrucemo-nos mais especificamente para o estado da Paraíba.

Há pouco tempo atrás no ano de 2005, o escritor paraibano de nova palmeira Geraldo Maciel, que assume ter por paixão a literatura, lançou um livro que recebeu o título de “O concertista e a concertina”, livro de contos que celebra grandezas e misérias do humano, em cenários: hora rurais, hora urbanos.

O que há de instigante para nós na condição de leitores é que o autor em seus vinte e quatro contos consegue amalgamar de forma leve e aglutinadora as linguagens que dominam de certa forma na tradição oral e escrita, oscilando entre o erudito e o popular sem perder a atmosfera do que individualmente cada história que nos é desvelada procura vivenciar dentro do leitor.

Trabalhando com a ironia, a comédia, o drama e, principalmente, explorando, o explorando da arte da literatura que nomeamos de conto falar do próprio fazer artístico, mesmo quando não se trata de arte explicitamente para os dias de hoje.

Um fato recorrente nos contos de Geraldo Maciel, em “O concertista e a concertina” é o uso das profissões de suas personagens para evidencia a poiesis artística, isso, nota-se, com efeito ao ler os títulos de seus contos: “O concertista e a concertina”, “O oleiro”, “O barbeiro”, “O violeiro” etc. No entanto, em outros contos, do livro comentado aqui, o escritor não demonstra no título, mas as personagens deles trabalham em ofícios que servem como arcabouço de metáforas que evocam o fazer artístico, veja-se “O carro”: Chico tem o fazer do mecânico como uma arte por isso trabalha duro em um projeto pessoal que em sua mente toma vida, o que retoma a fábulas romanas como a metamorfoses de Ovídio; “Boca”, o cantor que quase se equivale a um Quasimodo, um com sua bela voz, ou com seus reflexos.

O autor ao utilizar-se de profissões vistas como ordinárias pela sociedade para metaforizá-las em “ofícios de arte”, “O contrato”, conto no qual o carpinteiro sabe que é um artista. Isso é observável também em “O violeiro”, onde nos deixa uma mensagem de que o esforço e o trabalho significam muito e é, talvez, a maior parcela do fazer artístico, mas sem talento, também, não se consegue a glória o reconhecimento. Tuda essa metalinguagem recupera a arte no cotidiano.

* José Antônio Rodrigues Júnior. Graduando em letras e bolsista PIBIC de iniciação científica da Pró – reitoria de pesquisa.

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