A arte primitiva e Sensual em Moacir Arte Bruta

Vi ontem (revi) no Canal Brasil o monumental filme- documentário dirigido por Walter Carvalho. Moacir é um pintor primitivo que vive isolado no interior de Goiás numa região pertencente ao Parque Nacional da Chapada do Veadeiros.

Moacir vive com suas irmãs e genitores. Todos dão depoimentos e o pai ( grande protagonista do filme ) diz o que pode e não pode na arte. Moacir não tá nem ai para regras. Aquelas figuras diabos com três chifres, não pode! Atrai coisa ruim, diz o pai. Moacir não tem explicação para a sua criação e pinturas com uma forte sensualidade. Mesmo sem ter visto uma mulher nua, no depoimento da sua irmã, Moacir pinta belas vaginas e falos. O órgão sexual feminino muitas vezes parece um peixe. Com seus gizes de cera Moacir também pinta a flora e fauna da SUA REGIÃO. Mora numa casinha humilde isolada do mundo e ver coisas que ninguém ver. Seres extraordinários e diabos. Figuras em movimentos muito bem representadas na descrição cinética moaciana.

O filme não precisava da intervenção do pintor goiano Siron Franco para explicar seus quadros. Eles não têm a explicação que os homens ditos escolados e eruditos precisam dar. Moacir veste-se com uma longa manta e sai na sua bicicleta carregando um dos seus desenhos e fazendo propaganda. É arte em estado bruto e puro. Seus quadros possuem a força do sexo em estado puro. Muitas vezes suas figuram viram ouroboros e o homem toca o seu sexo.

A inspiração a motivação vem de muito longe. Longeeeeeeeeeee. Do mais recôndito do ser. Moacir é um ser puro e o conhecimento não entra na cabeça de qualquer um, como diz seu pai. Desejar explicar a arte de Moa nos quadros da civilização dita erudita é uma falácia. Tirar Moacir do seu mundo seria um crime, como assim fizeram as civilizações europeias dizimando ricas culturas. Deixe Moacir pintando suas lindas xoxotas. Homens lobos se abraçam numa comunhão bruta e ancestral da anima e taras que Moacir revela.

Vinte e dois de janeiro é o dia de Eros. Viva Moacir.

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Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 21 de janeiro de 2012 20:24

    Nelma , o meu saudar. Seu comentário toca o meu embora vç nao tenha se referido a ele. Pelo que senti vç concorda com a minha resenha. Ou quem sabe, aprimora o espaço semiótico da leitura filmica. Boa Noite, prazer falar com vç.

  2. Nelma 21 de janeiro de 2012 19:50

    Vi ontem o documentário sobre Moacir e sua obra. Fiquei encantada com a naturalidade com que ele vai passando para o papel todo o caleidoscópio de imagens que surgem em sua mente. Sua obra é surreal, rica em cores e texturas. Ele não faz nenhum esforço para garantir o resultado e nem tenta manipular nada. Põe no chinelo muitos artistas com formação acadêmica. Adorei.

  3. Jairo llima 21 de janeiro de 2012 10:00

    Que significa civização dita erudita? Existe uma civilização dita erudita e outra erudita? A obra do próprio cineasta é uma tentativa falaciosa de explicar o gênio primitivo do pintor pelo viés lamentável da civilização dita erudita? A tecnologia que nos permite assistir ao documentário no sofá de nossa casa é também uma falácia da civilização dita erudita? Quem souber que me diga que tô doido pra saber.

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