A Arte Ruim

– Não! Nem tudo é arte!

Foi esbravejando assim que ela ingressou no ambiente obscuro e kitsch da galeria, inclinando a cabeça para ver a imensa estátua azul que se alongava em direção ao céu e ao sol da província.

Mas, então, o que a levava até ali? Parou para pensar e refletiu mínimas respostas. Nenhuma a convenceu. Apenas queria encontrar o sentido para sua debandada da festa em que tristes poetas berravam alto suas palavras sem sentido e o rock rolava às soltas, regressivo aos seus anos de iniciação no underground macaqueado da pequena cidade.

Londres, Manhattan, Amsterdã, Sampa? Onde mesmo depositaria seus sonhos de fuga?

Já nada sabia, nada sentia, enquanto desenvolvia seus loucos delírios no fundo do quintal incrustado ao pé do morro, em meio a entulhos e à vegetação tropicalíssima, coqueiros, mangueiras, bananeiras…

A única companhia ali era a de um vira-latas se coçando nervosamente. Ah! E as moscas também vinham lhe sobrevoar os pensamentos turvos.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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