A brevidade da vida, de Maluz Maheros

a brevidade da vida te levou a perguntar
como continuar existindo
depois de borrar o alcance de todas as visões
e das tuas netas derramarem café em teus cadernos

que ideia a tua me perguntar isso
depois de quarenta e cinco horas sem dormir
ainda hipnotizada pelas linhas de tuas mãos

eu não posso te afirmar o que acontece
com um poema de cem anos
mas tu sempre serás centelhas de vida em minhas gavetas

esquisita tua sala
nada entre as mobílias combinam
e eu penso que materialmente a consumação do teu sumiço se
dará
com os móveis enfeitando uma vitrine no bairro do Alecrim
e a biblioteca transferida para um sebo com queima de estoque
quando teus herdeiros te liquidarem até o último botão

Gravura “Death by water”, de Mary Ryan

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