A Caicó de Moacy

Volto já. Amanhã, possivelmente. Porque é tempo de repouso, mudanças e perdas. A pedida, por hora, é nos valermos de lembranças. Das boas. Do Seridó de nunca mais. Da Caicó de hoje, de ontem e a de Moacy. Sim, a Caicó de Moacy povoa imaginários de quem pouco pisou aqueles chãos e prefere mergulhar em sua poesia nostálgica e ainda assim, tão presente:

Caicó

a cidade, de sol a sol,
principia pelo fim
no poço que, santana, a protege

a cidade, de açude em açude,
afoga os minerais
nas pescarias noturnas transparências

a cidade, de sábado a sábado
completa o sertão
com seus horizontes mágicos cordéis

a cidade, de rua em rua,
transborda de amor
nos becos bêbados botequins

a cidade, de ponte a ponte,
margeia os rios
da memória fluvial seridó

a cidade, de pedra em pedra,
constrói o branco
de seu silêncio limpo fugidio

a cidade, de festa a festa,
recolhe os frutos
da noite que, sant’ana, se faz julho

(Moacy Cirne)

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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