A casa

Jairo Lima

negro silêncio
guarda as salas
abóbadas inazuis confinam a sombra
que geometricamente talha a pausa entre gritos de luz
mortalha
a que o fagote dá cor
retalhos de sol pendem coagulados de portas e janelas
e os armários inscrevem sacrários para o sono dos panos
(dentro esvoaça um pássaro acordado)
na casa a voz mais alta é marromdourado
há um céu de candeias que inala luz
quando a hora exala a noite para dentro dos seus muros
e no mais recôndito do escuro
a casa respira os seus vãos
solar, sólido, soledade
pedras e madeiras, em ritmo binário,dançam antigo esplendor
ao som cor de parto
às três da manhã o sol ainda é improvável.

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