A continuidade de um projeto lírico

A Editora Una lançará no próximo dia 13, às 19h, no Teatro Alberto Maranhão, o livro “Canção de Abril”, com poemas de Rizolete Fernandes. Abaixo, texto da também poeta Diva Cunha, sobre a obra de Rizolete (foto).

Por Diva Cunha

Na terra de Nísia Floresta as mulheres dizem presente nas diversas áreas do conhecimento, mas privilegiam a palavra poética como forma de expressão. Rizolete Fernandes inscreve-se nessa linhagem que às vezes apresenta uma dupla face, por um lado preocupa-se com a participação feminina na vida social e por outro apreende o movimento do mundo através de imagens sensoriais, que tecem uma fina rede de afetos.

Em 2006, Rizó publicou seu primeiro livro de poesia – Luas Nuas – e agora nos brinda com Canções de Abril, também editado pela editora Una, composto por 49 poemas, em que dá continuidade ao seu projeto lírico. O lançamento será no próximo dia 13, às 19 horas, no Teatro Alberto Maranhão.

“Sim, eu dispenso o silêncio que não cria/ quero o alvoroço das lembranças”, afirma a autora, revelando que sua poesia pertence ao tempo da memória, resgatado na moldura natural da paisagem nativa. Cada texto é um fragmento dessa paisagem reconstituída sensorialmente e burilada pela emoção e pela imaginação. Por ela transita um eu-lírico sensível, atento aos perigos da arte de escrever, como mostra o poema Mosaicos: Qual mosaico mal posto / no tabuleiro do assoalho / o encaixe da palavra / no texto às vezes / faz-se exíguo.

As raízes, pai e mãe, são chamados à cena literária, num poema exemplar, Raízes: Por trás do aro dos óculos / Meu pai transmite lições / No seu olhar português / Ao seu lado minha mãe / Prende nos lábios de princesa africana / O sorriso que cedo se desfez.

O desejo de inscrever-se na paisagem vivida, lembrada e letrada, como sujeito que reflete sobre o mundo e sobre a história, especialmente sobre a história das mulheres, orienta a produção da poeta, que nessa busca equilibra-se harmonicamente entre um adágio e um presto.

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