A crise nas locadoras de DVDs

A agonia das locadoras de DVDs é lenta e inexorável. Ontem estive em uma das quais fui cliente assíduo por mais de vinte anos. Poucos lançamentos nas prateleiras e alguns raros clientes renitentes. Fiquei meio melancólico com a cena.

As locadoras seguem o mesmo calvário anunciado enfrentado pelas lojas de CDs. Em Natal, que eu saiba, só restou uma, a da loja Rio Center, no Natal Shopping.

A crise eu tiro por mim. No ano passado aluguei apenas uns três filmes, quando num passado não tão remoto assim, alugava 40, 50 por ano. No meu caso, dois fatores contribuíram para essa situação. A melhora da programação dos cinemas e a pirataria.

Durante todo o ano passado tivemos semanalmente duas sessões regulares de filmes de arte. Chequei agora minhas anotações. Assisti 33 filmes no cinema em 2009. Os outros comprei na loja Sétima Arte, no Camelódromo do centro. Mas também poderia ter baixado na internet. Enfim, essa é a realidade que a indústria da música e do cinema não teve competência para suplantar.

O próximo segmento a enfrentar os mesmos problemas é o editorial (os jornais já vivem essa crise, mas esse é um capítulo a parte, em que me deterei em outra ocasião). Editoras e livrarias são hoje negócios de altíssimos riscos. Não se enganem, a crise chegará a eles, quase da mesma forma que atingiu o mercado de CDs e DVDs.

Os e-books são uma realidade. Sim, boa parte da velha guarda continuará agarrada aos livros de papel. Mas, será difícil segurar os leitores jovens e a pirataria que também se instalará nesse segmento. Não se trata de ser contra ou a favor de livros impressos ou digitais. A mudança também aqui não levará em conta “gostos” pessoais.

As pequenas livrarias já sentiram um certo baque com as vendas online de gigantes como a Saraiva, Cultura, Submarino e Fnac. Conheço muitos amigos que só compram livros pela internet.

E estão com a razão. Não há como justificar que um livro custe R$ 30,00 vindo desde São Paulo, já incluindo o frete, e nas livrarias locais saia por R$ 50,00? (Ex. Padre Cícero – Poder, Fé e Guerra no Sertão). Uma diferença de quase cem por cento.

Por essa e outras, o atual modelo de negócio das editoras e livrarias, tal como o conhecemos hoje, mudará radicalmente.

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