A dualidade e a incerteza na base do conhecimento

[…] mas o que é Deus, ninguém o entende, Que a tanto o engenho humano não se estende. Camões

Desde muito o homem tenta uma teoria que unifique as quatro interações básicas da natureza. As duas maiores teorias físicas do século XX – uma clássica e outra quântica-, permitiu ao homem planejar viagens interplanetárias e até mesmo o teletransporte da matéria.

O universo não só expande como está acelerado. A teoria de Einstein da gravitação foi comprovada no célebre eclipse de Sobral no Ceará, em 1919. Experimentos permitiram observar a deflexão da luz ao se aproximar do sol. Dependendo da geometria a menor distancia entre dois pontos não é uma reta. O Universo de Dante é riemanniano e boa parte da humanidade ainda vive centrado numa Terra parada.

Não existem partículas ou ondas. A Luz, uma onda eletromagnética, tem comportamento dual. È importante predizer com certeza absoluta a resultado de qualquer experiência atômica ou de qualquer evento no Universo. O terremoto não pode ser previsto com segurança.

O Universo é probabilístico. O Princípio da incerteza de Heisenberg, um dos pilares da mecânica Quântica, não permite determinar simultaneamente com precisão a posição e a velocidade da partícula. Esse princípio não nos permite prever acontecimentos futuros, uma vez que não é possível pedir com precisão o estado do universo atual.

Deus não existe. A partícula também não existe. O que existe é a sua idealização que não pode ser compreendida num sentido material, mas como metáfora de algo que ainda não entendemos perfeitamente. Não, Deus não joga dado. Não posso acreditar, disse Einstein perplexo. O universo é regido por probabilidades e tudo leva a crer que Deus joga dado.

A linha do mundo pode ser vária e probabilística. Não sendo possível isolar o criminoso, assim como não se pode isolar a partícula do universo.

Simetria e supersimetria

Os princípios fundamentais da física estão relacionados com simetrias espaciais ou temporais. O “gold number” é uma das manifestações matemática do belo na arte e na natureza. O fractal existe num quadro de Pollock, num poema de Gregório de Matos ou numa folha de samambaia. A dimensão da natureza é fracionária.

Uma teoria unificadora das quatro interações básicas da natureza ainda é buscada. Um dia essas forças estavam acopladas e com o resfriamento do universo houve o desacoplamento para a busca incessante dos cientistas na busca de uma teoria unificadora de tudo. Já conseguimos várias unificações, mas ainda não conseguimos reunir as quatro. Teorias de Campos, Partículas e Supercordas com muitas dimensões já foram tentadas. Muitas das simetrias da mecânica quântica são simetrias quebradas. Foi essa idéia que levou Weinberg e Abdus Salan a desenvolver a base da teoria eletrofraca: Uma junção do eletromagnetismo com a força nuclear fraca.
Novos caminhos são buscados com os aceleradores de partículas simulando a explosão primeva. Já detectamos a radiação cósmica de fundo. Ainda sabemos pouco sobre os mais de 95 % de energia e matéria escura que formam o universo. A busca continua. O desafio ainda é posto. Quem sabe chegaremos numa supersimetria que unificará tudo. O dia em que seremos menos atormentados.

No dia em que a humanidade deixar de ser menos ignorante sofreremos menos. A ignorancia é a base de todo sofrimento, disse o Buda. A dualidade continua.

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