A Enciclopédia do Folclore Gaúcho

Por Antonio Augusto Fagundes
ZERO HORA – VIA CONTEÚDO LIVRE

Luis da Câmara Cascudo o maior folclorista brasileiro e aclamado como um dos cinco maiores folcloristas do mundo, escreveu o Dicionário do Folclore Brasileiro. Carlos Galvão Krebs, meu mestre e amigo, levou-me a Natal (RN), onde convivemos com o grande mestre potiguar.

Depois, estivemos com Luis da Câmara Cascudo aqui em Porto Alegre, quando Dante de Laytano o trouxe para um encontro do Lions Clube. Encontros assim foram sempre fecundos quando se tratavam de Cascudo. Ele era de um dinamismo intelectual tremendo.

Em São Paulo e em congressos, sempre graças a Carlos Galvão Krebs, convivi com outro monstro sagrado do folclore brasileiro – Alceu Maynard de Araújo. Alceu fez uma espécie de enciclopédia do folclore brasileiro, notadamente com destaque para São Paulo e Minas Gerais, mas com incursões até no Rio Grande do Sul. No RS, eu tive laços de amizade com Krebs, Dante de Laytano, Walter Spalding, Barbosa Lessa, Glaucus Saraiva e Paixão Côrtes.

Com todos eles, aprendi um pouco, mas com Krebs terminei me aprofundando em indumentária gaúcha, danças folclóricas, folclore afro-gaúcho e culinária gaúcha. Com o apoio de Krebs, organizei e fundei a Escola Gaúcha de Folclore de nível superior, que visava a formação de professores para essa disciplina. Não tive forças para conseguir o reconhecimento da Escola em nível superior, e a bela iniciativa deu em nada.

Depois foi a vez do Curso de Pós-graduação em Folclore da Faculdade Palestrina, organizado e dirigido pelo professor José Roberto Diniz de Moraes, curso que funcionou com brilho durante alguns anos, treinando, sobretudo professoras e professores. Paixão, Glaucus e eu éramos do corpo docente. Nenhum de nós publicou tanto as suas pesquisas, talvez porque a maior parte delas não se completava.

Quem fez isso e de maneira brilhante, foi Paixão Côrtes com seu alentado livro Folclore Gaúcho. Trata-se de um trabalho enciclopédico, maior e mais amplo do que tudo que nós outros fizemos e publicamos. Que beleza! Ao ter em mãos agora a bela reedição da Corag lançada na Feira do Livro, tirei um peso das costas, um complexo de culpa pelas pesquisas feitas que não iam se completar nem aparecer em livro. O folclorista não é a mensagem, mas o mensageiro.

Ele não cria nem transforma, mas devolve ao povo em forma de livro e curso o que com o povo aprendeu e Paixão faz este trabalho melhor do que ninguém. Fez pelo folclore gaúcho o que nenhum de nós conseguiu: fez o que Cascudo e Maynard fizeram pelo Nordeste e pelo Centro do Brasil.

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