A entrevista de Chauí

Por Tácito Costa

O poeta galante – segundo o cada vez mais midiático cientista político Homero Costa, antes ele do que Cláudio Emerenciano, que dominou o pedaço na antiga Tv Cabugi -, Demétrio Diniz já tinha me chamado atenção há dias num daqueles seus breves telefonemas, em pleno expediente de trabalho, beirando as duas horas – perdendo nesse quesito somente para o também poeta Sanderson Negreiros -, para a entrevista de Marilena Chauí à Cult, que publicamos o link aqui quarta-feira. A foto é da padaria Mercatto e remeterá Demétrio e Homero a boas lembranças.

Mas somente ontem a li. Bem, pode-se falar tudo – de negativo, evidentemente – sobre a filósofa, e sua militância petista exacerbou isso junto à mídia conservadora, menos que seja despreparada. Tem razão Demétrio. As respostas da filósofa à crise que tomou às ruas de junho pra cá são lúcidas e provocativas.

Gostei sobretudo do trecho sobre a classe média, que ela detonou meses atrás num encontro do PT e que a mídia, com suas costumeiras isenção e equilíbrio quando se trata do Partido dos Trabalhadores, explorou a vontade, sendo que naquela ocasião a crítica foi apenas esboçada, não ficando bem clara para nosotros.

Contextualizada e acrescida de novas considerações aquela declaração ganhou nova dimensão.

Segue o trecho que pincei da entrevista:

“Mais do que isso, a classe média conservadora (não falo da parte da classe média que se alinha à esquerda) não tolera isso, grita e espuma contra esses direitos dos trabalhadores. É por isso que eu falo nas “três abominações” que definem essa classe média: trata-se de uma abominação política, porque é fascista; uma abominação ética, porque é violenta; e de uma abominação cognitiva, pois ela é ignorante”.

Na terça-feira, o Observatório da Imprensa na Tv foi sobre o Mais Médico e levantou alguns pontos interessantes, tanto sobre o programa quanto acerca da cobertura jornalística. A discussão sobre o programa do Governo Federal continua rendendo na mídia e talvez por isso que, na minha cabeça, acabei linkando as coisas, a entrevista, o Observatório, a cobertura comumente distorcida de parte da mídia e a reação de médicos e entidades corporativas ao Mais Médico, e até a polêmica sobre os direitos trabalhistas às domésticas.

Duas questões que fizeram a classe média se expor um pouco e mostrar o quanto é conservadora, ignorante e alienada.

Mas, diga-se de passagem e apelando ao simplismo, questões fáceis de se defender opinião na mesa do bar ou na fila do banco, bastando pra isso prestar atenção às posições dos “suspeitos de sempre”, como Veja, Folha, Merval, Reinaldo, Jabor, Augusto Nunes, por aí. Simples assim. Se você não tempo de se informar em profundidade para firmar uma opinião sobre um tema polêmico que acabou em fla – flu ideológico, opte pela posição contrária a tomada por esses e outros veículos de comunicação e colunistas. Não tem como você não acertar. Faça o teste e depois me diga.

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