A estética de Virgolino…

Ora, ora, não vão se precipitar e pensar nada diferente. Não estou aqui ressucitando uma discussão morta e enterrada sobre a “estética do cangaço”, tão adorada por alguns. O Virgolino de quem falo agora é, nada mais, nada menos, que aquele grande e estiloso artista plástico pernambucano, autor de uma obra imortal em meio a traços e cores vivas, formas simples e perfeitas. Trata-se de Wellington Virgolino. E esse merece o nosso louvor. Todo ele.

A obra do grande Wellington Virgolino me impressiona desde os anos 70, quando vi pela primeira vez (e me deslumbrei com isso) uma enorme tela de sua autoria na sala de visitas do meu saudoso tio seridoense-recifense (também pintor, estudou com Brennand) Adelson de Oliveira, lá no Bairro do Rosarinho, na capital pernambucana.

Fiquei feliz por ter descoberto, ano passado, na Livraria Cultura de Recife, um livro lançado pelo irmão de Wellington, Wilton de Souza, acerca de sua vida e obra e em comemoração aos seus 80 anos de nascimento que teriam se dado em setembro de 2009 (Wellington nasceu em Recife, em 1929. Faleceu também na capital pernambucana, em 1988).

O belo livro, dotado de iconografia ímpar, é recheado com obras e fotos de Wellington e conta toda a sua trajetória artística, desde as primeiras exposições individuais. Chama-se “Virgolino, o cangaceiro das flores.” Esse livro é um dos objetos mais preciosos que guardo comigo.

Para fazer o livro, Wilton pesquisou em arquivos pessoais próprios, e em documentos e outros escritos deixados pelo irmão mais velho e, também, em análises e comentários de alguns escritores, poetas e críticos como Gilberto Freyre, Frederico Morais, Jacob Klintowitz, Ladjane Bandeira, Walmir Ayala, João Câmara, Celso Marconi e Hermilo Borba Filho.

Tácito, se puder, recupere e jogue aí alguma imagem, alguma tela virtualizada do pintor, fácil de encontrar no Google. Afinal de contas, vale muito a pena a gente ter um (ou mais) autêntico Weelington Virgolino na sala de estar do querido SPlural.

p.s. Este post é dedicado a Francinaldo Oliveira, que me fez – com sua amável insistência – reconsiderar, celeremente, uma certa decisão.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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