A Estética do Cangaço

Por Woden Madruga
Na Tribuna do Norte

Já chegou às livrarias daqui, pelo menos eu vi na Siciliano, o livro de Frederico Pernambucano de Mello, Estrelas de Couro: a Estética do Cangaço. Livro-álbum, belíssimo! Se for lugar comum, viva o lugar comum: Uma obra de arte. O livro de FPM é sim, uma verdadeira obra de arte. Não somente pelo texto do autor, um senhor escritor e um mestre pesquisador. O maior estudioso brasileiro do cangaço. Um texto primoroso casado com o prefácio de outra fera: Ariano Suassuna, que, lá pras tantas afirma, alto e bom som, que o livro de Frederico Pernambucano de Melo é o livro que ele gostaria de ter escrito. Além de Ariano, tem, ainda o texto de apresentação escrito pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Também da melhor qualidade. Bom, o pai, Maximiano Campos, foi um grande escritor. O tio, Renato Acioly Carneiro Campos, também. Ensaísta e jornalista. Dos maiores cronistas pernambucanos. A genética é boa.

Graficamente o livro é perfeito. Capa e projeto gráfico assinados por Lena Beauty, Raimundo Gadelha e Renan Glaser. Tem o selo da Escrituras Editora e a impressão feita na Aquários Gráfica e Editora, ambas de São Paulo. Na bibliografia reunida por Frederico Pernambucano de Mello aparecem três norte-riograndenses: Luís da Câmara Cascudo, Oswaldo Lamartine de Faria e Tobias Monteiro. Tobias Monteiro é o historiador e pouco lembrado por estas bandas. São citados dois livros seus: História do Império: Primeiro Reinado e A elaboração da independência. Cascudo comparece também com duas obras: Dicionário do folclore brasileiro e Informação de história e etnografia. A contribuição de Oswaldo Lamartine está no seu livro Apontamentos sobre a faca de ponta. A propósito, um dos capítulos mais bonitos do livro é o que trata dos punhais, das facas, das peixeiras e dos facões dos cangaceiros, “O ferro-frio”.

Nos agradecimentos às pessoas que contribuíram, não somente na feitura do livro, mas também que doaram peças para o seu fantástico acervo particular sobre o cangaço (armas, roupas, objetos, adornos, etc.) Frederico Pernambucano volta a citar Oswaldo Lamartine e o seu sobrinho, o escritor Pery Lamartine. Também é citado o nome do médico e escritor Raul Fernandes, que escreveu o livro A Marcha de Lampião, cujo pai, Rodolfo Fernandes era o prefeito de Mossoró, quando Lampião invadiu a cidade.

Fotografias de peças do impressionante acervo de Frederico Pernambucano de Mello (também de outros museis) são mostradas no livro-álbum, ao lado de reproduções de telas de Frans Post, Alberto Eckhout, Rugendas, Debret, Portinari, Santa Rosa e de Caribé. O leitor vai se encantar com as xilogravuras de J.Borges, Givalnildo, J.Miguel, Ivan, Amaro Francisco, do timaço dos grandes artistas populares (viva o cordel!) do Nordeste e do país. Tem ainda as famosas fotos de Benjamim Abrahão (Aba-Film), que conviveu com Lampião.

O leitor vai se extasiar diante dos enfeites dos cangaceiros, os desenhos e os bordados de suas mochilas, os vestidos das mulheres (eita, Maria Bonita!), de suas luvas, os lenços usados no pescoço, as alparcatas, suas cartucheiras, seus coldres, as perneiras, os bornais, obras em couro, em pano, em ferro e metais: punhais, facas e facões, joias, brincos, pulseiras. Os panos bordados em belos coloridos.

Um belo livro, desses que a gente ver, ler e acaricia.

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