A fenda que se esbalda na fala

O professor e poeta Márcio de Lima Dantas envia por e-mail texto da graduanda em Letras Shannya de Lacerda Filgueira sobre a poeta portuguesa Maria Tereza Horta. Se tudo der certo teremos outros textos sobre a poeta aqui e formaremos mais um dossiê, a exemplo dos dossiês sobre Fiama Hasse (na ESTANTE) e Sophia de Mello Breyner, em construção.

Leia o texto de Shannya: aqui

Dois poemas de Maria Tereza: aqui

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Tânia Costa 9 de fevereiro de 2011 21:58

    Bravo!
    Uma poeta que vale a pena conhecer.

    Enleio

    Maria Teresa Horta

    Não sei se volteio
    Se rodopio
    Se quebro

    Se tombo nesta queda
    em que passeio

    Não sei se a vertigem
    em que me afundo
    é este precipício em que me enleio

    Não sei se cair assim me quebra… Me esmago ou sobrevivo
    em busca deste anseio

    Destino, Quetzal Editores, 1998 – Lisboa, Portugal

    ……………………………………………….

    DESPERTA-ME DE NOITE
    O TEU DESEJO
    NA VAGA DOS TEUS DEDOS
    COM QUE VERGAS
    O SONO EM QUE ME DEITO

    É REDE A TUA LINGUA
    EM SUA TEIA
    É VICIO AS PALAVRAS
    COM QUE FALAS

    A TRÉGUA
    A ENTREGA
    O DISFARCE

    E LEMBRAS OS MEUS OMBROS
    DOCEMENTE
    NA DOBRA DO LENÇOL QUE DESFAZES

    DESPERTA-ME DE NOITE
    COM O TEU CORPO
    TIRAS-ME DO SONO
    ONDE RESVALO

    E EU POUCO A POUCO
    VOU REPELINDO A NOITE
    E TU DENTRO DE MIM
    VAI DESCOBRINDO VALES.

    ……………………………
    Eis o centro do corpo
    o nosso centro
    onde os dedos escorregam devagar
    e logo tornam onde nesse
    centro
    õs dedos esfregam – correm
    e voltam sem cessar

    e então são os meus
    já os teus dedos

    e são meus dedos
    já a tua boca

    que vai sorvendo os lábios
    dessa boca
    que manipulo – conduzo
    pensando em tua boca

    Ardencia funda
    planta em movimento
    que trepa e fende fundidas
    já no tempo
    calando o grito nos pulmões da tarde

    E todo o corpo
    é esse movimento
    que trepa e fende fundidas
    já no tempo
    calando o grito nos pulmões da tarde

    E todo o corpo
    é esse movimento
    em torno
    em volta
    no centro desses lábios

    que a febre toma
    engrossa
    e vai cedendo a pouco e pouco
    nos dedos e na palma

  2. Aline Patricia 8 de fevereiro de 2011 20:21

    Ótima iniciativa, sou concluinte do curso de Letras e uma das coisas de que sempre reclamei foi da falta de espaço para publicar trabalhos analíticos, exercícios literários e afins. Creio que muita coisa boa acaba sendo desperdiçada, ficando restrita às avaliações dos professores e posterior arquivamento ou descarte. Ademais, lamento minha falta de sorte, visto que passei pelo curso sem ser aluna do professor Márcio…

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