A fidelidade e o celular

Assisto televisão enquanto passo a vista nas mensagens de WhatsApp.  Sou como todo mundo, faço mais de uma coisa ao mesmo tempo e, quase sempre, uma coisa no celular e outra coisa. No trabalho, em casa, no ônibus, no consutório médico, em todos os lugares vejo que as pessoas, na maior parte do tempo, fazem coisas ao celular.

Então, isso não me surpreende mais: a fidelidade ao celular. Mas percebo que eu, pessoalmente, devo surpreender pela fidelidade a outros entes, além das pessoas, claro.  

Há quem diga que eu sou fiel até à farmácia. Morando no mesmo bairro há quase trinta anos, vou à mesma farmácia há mais de 20 anos. Então já viu, né: ao mesmo supermercado, ao mesmo banco, ao mesmo salão e à minha mesma manicure, Nem.

Aliás, não comento a fidelidade dos entes, que mudam de acordo com o tempo, com as próprias exigências de espaço e adequação, com exigência dos clientes ou das tecnologias. Às vezes, mudam até de endereço. E eu, fidelíssima, corro atrás.

É o caso do salão de cabelos, que mudou para outro bairro e eu fui atrás. Ou o caso de Nem, a minha manicure, que voou para terras bem mais distantes. Pois não é que depois que ela partiu, relaxei no cuidado com as unhas, que agora só faço quando vou a Assu, onde também tenho uma manicure de anos. 

Gente, é serio! Às vezes abro a guarda, como quando busquei outra porque era de fato preciso consertar as unhas. Reparar uns estragos que a idade faz com todo mundo, e que nós, mulheres, bem mais atentas às questões estéticas, não deixamos passar.

Rádio & televisão

Bom, mas continuando com a questão da fidelidade, vejam só, até o churrasquinho que frequento às quintas ou sextas-feiras é o mesmo, há mais de 30 anos. Nesse caso, num lugar bem mais distante de Capim Macio, onde moro.  Não faço questão nenhuma de ir até Petrópolis, para um churrasquinho e da cerveja gelada e aos amigos de tanto tempo que circulam por lá. Mas o corona vírus nos proibiu.

Televisão? Sou fidelíssima telespectadora da Rede Globo, há mais de meio século, contrariando um bocado de amigos meus. Gente, eu assisto esse canal desde os tempo da novela Locomotivas, quando o ator Walmor Chagas era galã e a atriz Elisângela era a dona do pedaço, tão bonita e desejada quanto a Juliana Paes. Olha que faz tempo, porque Elisângela já foi a mãe de Juliana em novela recente, que na pandemia está sendo reprisada.

E até quando trabalhei na afiliada do SBT, a Globo era o meu anti-stress com suas novelas e suas grandes miniséries. Vai ver, é por isso que ainda não posso dizer que sou fiel à Netflix.

Rádio? Fã incondicional do meio, por muito tempo fui assídua à radio Cabugi: ao Patrulha da Cidade, com Nice Maria e Inaldo Farias, ao Programa Show com Carlos Alberto, aqui e acolá ouvindo noticias do futebol com o Pantera Wellington Carvalho e seus filhotes, o Pank Chico Inácio e Ricardo Silva. Mas, com o pipoco das rádios FMs a minha sintonia também mudou.

Aliás, demorei até fidelizar, passando por um bocado de sintonias…93,94,95,96… e só há poucos anos fidelizei o dial 91,1, que agora tem Margot Ferreira na programação local, e Milton Jung e Cássia Godoy me chamando logo cedo pra ouvir o Jornal da CBN. Quase sempre chego na segunda-hora. 

“Kd seu celular? Vc responde td mundo e ñ respondeu aqui”

Eu vou continuar fiel

Bom, tudo isso pra dizer que a minha fidelidade ao celular tem aumentado nos últimos tempos.  Se não ao celular, a algumas mídias que o smartphone nos condiciona a acessar cada vez mais. Olhem o Facebook, o Twitter, o Insta… Ave Maria! 

E o Zap? Por mais que eu queira, não posso sair dos muitos grupos listados no meu WhatsApp: do trabalho são vários, da família outro bocado, mais os grupos d’As Meninas, da igreja, da escola das crianças, do inglês… 

Tenho procurado me desprender, mas não tenho conseguido. E sabem por que? Porque é pelo celular que todo mundo tem preferido conversar.  Dá até saudade de quando a gente corria pro telefone e não olhava, não digitava…. apenas falava: – Alô!

Sem falar que no zap é uma ciumeira atrás da outra, como diz na música. Basta demorar um pouco mais para responder uma mensagem, lá vem a bronca:

– Kd seu celular? Vc responde td mundo e ñ respondeu aqui…

Pois sim, eu vou continuar fiel, como sempre fui: ao salão, à farmácia, ao banco, ao Kiosk da Cida, ao rádio e às novelas e séries da rede Globo.  E a Netflix, como eles, vai ter que me conquistar. 

E, não tendo como fugir, vou continuar ligada no celular. Não sei se vou poder responder a todos os grupos com a ligeireza que gostariam.  Mas espero que entendam:  não é que eu seja infiel a vocês, mas é que as vezes a gente precisa se desligar.  

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