A Filosofia e Crendices sobre os Terremotos

Na história dos terremotos existem muitas crendices sobbre suas causas. Só com a teoria da tectônica de placas no século XX, e com os avanços nas geociências essas causas foram cientificamente reveladas.

Quando trabalhava com a sismologia (fiz mestrado na USP nessa área) ouvi muitas histórias mirabolantes sobre as causas do terremoto que assolou essa região durante tanto tempo. O maior terremoto registrado nessa região nessa atividade mais recente foi de 5.1. A causa foi detectada por nosso grupo e trata-se de uma falha geológica.

Escrevi apostilha sobre o assunto e nosso grupo deu muitas entrevistas e palestras sobre as causas dos terremotos. Falamos até mesmo num circo armado em João Câmara sobre as “causa naturais” dos terremotos. Sobre os terremotos leia mais aqui: http://substantivoplural.com.br/do-terremoto-do-japao-de-magnitude-8-9/

Para algumas pessoas da região atingida, a causa era atribuída a um serrote localizado na cidade de João Câmara, chamado Torreão. Para outros, a causa era rio caudaloso que passava em baixo da cidade. As pessoas tinham muito medo que o chão afundasse. Para outros, a causa era mais prosaica Era devido a estátua de J, Câmara que tinham colocado numa praça no centro da cidade, antiga Baixa Verde.

Sobre o Terremoto de Lisboa de 1755

O terremoto que atingiu principalmente a península ibérica e devastou Portugal, matou sessenta mil residentes por conta do incêndio e das ondas gigantes que alcançaram 30 – 40 metros acima do nível do mar. As pessoas nas igrejas observaram os candelabros oscilarem e atribuíram esse efeito a sinais divinos. O terremoto ocorreu no dia de Todo-os-Santos ( 01 de Novembro de 1755 ) por volta das 9h20 da manhã.

Estudos modernos determinaram a causa desse terremoto como tendo origem a vários quilômetros a sudoeste de Portugal numa estrutura geológica chamada “ East Atlantic Rise “

As perdas matérias e culturais devido a esse terremoto foram inimagináveis. Muitos livros e objetos de artes foram queimados e perdidos para sempre. Alguns grandes escritores se pronunciaram sobre o assunto. Voltaire, em sua novela Candido, escreve na voz do seu protagonista ironizando aqueles filósofos que diz ser esse o melhor dos mundos:

“ if this is the best of all possible worlds, whatever must the others like”

(se este é o melhor dos mundos, não há nenhuma dúvida de que deve existir outros semelhantes) em tradução livre minha.

E Voltaire ainda acrescenta “Que crimes cometeram estas crianças, esmagadas e ensangüentadas no colo de suas mães?”

Ou seja, Voltaire estava questionando esse mundo de perfeição criado á imagem do seu criador.
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Essa frase é muito diferente da escrita no artigo “Deus é Verde” do JOÃO PEREIRA COUTINHO, FSP 15/03/11, citando Susan Neiman e seu livro sobre a Filosofia do Mal (Artigo transcrito no blog substantivoplural )

“… o terremoto de Lisboa não se limitou a ser pasto para o racionalismo dos “philosophes”. O terremoto, em suma, não mostrava apenas ao mundo a crueldade de Deus ou até, no limite, a sua inexistência”

A leitura do filosofo Jean Jacques-Rousseau é diferente da de Voltaire. Ele encontrou nesse trágico acidente um álibi para a sua filosofia de uma volta á natureza e ao campo, livre dos terremotos. A culpa é dos homens que vivem errados em grandes aglomerações.

Lembrando o terremoto do Japão, uma ilha super-habitada situada na borda de uma placa tectônica.

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