“A Fita Branca”

Assisti no final de semana, em DVD, “A Fita Branca”, do austríaco Michael Haneke. Era o favorito para levar o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2010. Já tinha ganhado uma carrada de prêmios, tanto na Europa quanto nos EUA. Era a barbada do ano, segundo a imprensa e todos os críticos. Acabou perdendo para “O Segredo dos Seus Olhos”, filme argentino dirigido por Juan José Campanella.

O filme de Haneke conta a história de estranhos acidentes que ocorrem em 1913, às vésperas da 1ª Guerra Mundial, em uma pequena comunidade da Alemanha. Os incidentes tomam a forma de um ritual de punição, deixando a cidade em pânico. O professor do coro da escola local investiga os acontecimentos e consegue chegar a verdade.

É esse professor quem conta a história tempos depois. Logo no início de sua narrativa, ele supõe haver uma ligação entre os fatos que ocorreram e o surgimento do Nazismo. Eu prefiro achar que o filme não se refere, apenas, ao Nazismo. Mas ao mau em si, a capacidade que o ser humano tem de ser monstruoso.

Essa reflexão me meio mais fortemente à cabeça porque, por coincidência, estou lendo “Refrão da Fome”, de J. M. G. Le Clézio, romance cuja história se passa na França nas primeiras décadas do século passado e que tem como pano de fundo as duas guerras mundiais. As impressões sobre as duas obras confluíram naturalmente na minha cabeça.

Embora o livro do francês, atual Nobel de Literatura, não contenha a violência explícita do filme de Haneke, estão lá aflorando nas conversas a intolerância, a xenofobia e o anti-semitismo europeu que culminaram no Nazismo. O que me faz pensar que estes eram sentimentos comuns a vários países da Europa e não apenas a Alemanha. Digamos que os alemães foram mais longe no horror.

“A Fita Branca” (o nome se refere a uma fita que o pastor protestante obriga os filhos a usarem no braço como castigo- reparem no braço do menino na foto lá em cima) é um grande filme. Sombrio e verdadeiro. Mereceu todos os prêmios que ganhou. Antes, o diretor já havia nos brindado com outros excelentes filmes (A Professor de Piano e Caché – este último eleito por alguns críticos como o melhor filme da década).

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