A FUGA

Alberto Lacet

Houvesse então aquela rua que não ia dar em nada
Aí estaria o moço e o molhe de chaves pego ao acaso
Quem sabe com alguma idéia germinando na cabeça
E a percepção de que nenhuma migalha lhe bastaria
Numa cena inundada de vento frio soando palavras
Na ação aferrada ao tempo e seu perfeito quadrante
Com uma carroça passando ao longe, além da ponte.

E depois acontecendo quando nada é o que se espera
Ai não estaria aquele moço aonde o fossem procurar
Não seria visto balançando pernas na aba da ponte
E apressados tentariam chegar antes dele e da noite
Ao que seria seu plano apenas vagamente percebido
Até quase um vento entrando em portas escancaradas
O homem da bomba de gasolina traz afinal uma pista

Outros só interessados em ficar sentados nos batentes
Entre eles o hábito de calar ou de não medir palavras
Colher gesto maduro de ser uma fruta suspensa no ar
Com a notícia prosperando e fazendo que o tempo voe
Os abstraindo assim das piruetas do vento na calçada
É bem vinda se traz forma alheia, difusa de sofrimento
Alegre é a corda pendendo de caibros nus da garagem

E anos depois sob sol e chuva ela havia de permanecer
Largada entre monstrengos férreos relegados à neblina
Via-se a carcaça carbonizada da boléia de caminhonete
Apeada ao chão, num jazigo de perguntas sem respostas
À margem do caminho onde passavam, e ela sempre ali
Desde que dele separada e trazida do aonde fora levada
Por aquele nunca mais visto em nenhum lado da ponte

Comentários

There is 1 comment for this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco × 2 =

ao topo