A gestão de Revorêdo

revoredo

As boas intenções, simpatia e eloqüência não foram suficientes para César Revorêdo se manter na presidência da Fundação Capitania das Artes. Confesso que não recebi com surpresa ou espanto o seu afastamento. Numa administração com uma média de mudança de secretário de quase um por mês (em noves meses caíram sete), realmente não surpreende a queda de mais um. Sem falar nos sinais de que a coisa não andava bem na entidade, como ficou claro depois da mudança de nomes para realizar o Natal em Natal.

Tudo indica que não houve desvio de recursos públicos, no caso dos quase R$ 200 mil que foram parar na conta de um motorista da Funcarte, para pagamento de indenização a um grupo de trabalhadores que prestou serviço à instituição. Como também acho que não houve corrupção na desordem anterior, do pagamento das bandas, no início da gestão. Mas, o artifício usado para driblar a burocracia não era legal, abriu um precedente perigoso e de anarquia em anarquia a coisa acabaria mal.

Contudo, apesar da gravidade das duas situações, não acho que elas tenham sido os verdadeiros motivos para o afastamento do artista plástico. É provável que os dois episódios tenham sido usados para justificar um afastamento que já estava ensaiado há algum tempo. Havia sinais de desentendimentos entre a Funcarte e outras secretarias e comenta-se sobre a existência de uma luta pelo poder dentro da própria instituição, entre o pessoal da Tv Ponta Negra, da prefeita Micarla de Souza, ocupando cargos estratégicos, e a competente equipe que Revorêdo conseguiu formar.

No fundo, penso que o artista plástico pegou uma tremenda batata quente e fez o que pode. Início de administração e um ano de crise pesaram sim no desempenho geral da Funcarte em 2009. Como pontos positivos desses dez meses citaria, entre outros, a continuação do Projeto Goiamum Audiovisual e o São João, realizado na Ribeira. O carnaval foi feito de forma atropelada, mas naquelas circunstâncias tenho dúvidas se poderia ter se avançado em relação à gestão anterior.

Agora, se existe um setor que não sentirá saudades de Revorêdo é o de Literatura. Em dez meses não se editou um único livro, não se falou nos prêmios de poesia Othoniel Menezes e de prosa Câmara Cascudo, a revista Brouhaha mudou para Ginga e continua inédita (com previsão de lançamento para novembro) e o ENE (Encontro Nacional de Escritores) acabou, prometendo-se criar em seu lugar o ELE (Encontro Lusófono de Escritores).

Enfim, esperava-se mais da Funcarte, mesmo com todas as dificuldades citadas mais acima. Mas seja quem for o indicado já encontrará a casa quase arrumada e, esperamos, esteja escaldado contra certas “facilidades” para se dobrar a burocracia.

Sim, ia esquecendo, espero que o novo presidente não tenha o esquisito hábito de ligar para jornalistas que criticam a gestão para tirar satisfação. Jornalismo (com J) é para criticar mesmo, mas isso até que perdôo, acho que a confusão é involuntária, causada em grande parte pelo pessoal das pequenas notas, grandes negócios, o gestor pensa que é tudo igual e acaba pagando um King Kong.

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