A hora do planeta?

Por François Silvestre
NO NOVO JORNAL

Marcaram para apagar as luzes por uma hora de alerta para adiar a morte do planeta. Aurélia me ligou do Rio, pedindo para apagar as luzes do Mirante.

A vida é um assunto local, como ensinou Charles Chaplin. E aqui, na serra do Martins, nós temos a “hora do planeta” quase todo dia. Tudo promovido pela Cosern. COSERN. Uma empresa pública vendida em ano eleitoral.

Se o destino político da comunidade depende dos seus líderes, o nosso aqui é nadar num açude de merda. Vejamos: Zé Agripino chega aqui, só nas campanhas e em todas as campanhas, prometendo um teleférico. Isso se repete há mais de vinte anos. Garibaldi Filho vendeu a Cosern para uma empresa espanhola, cujos donos nem sabem onde fica esta província rejeitada por João de Barros. Wilma de Faria chegou prometendo transformar Martins numa nova Gramado. Deixou o povo comendo grama.

Votei em todos três. Não posso reclamar na condição de eleitor. Reclamo na condição de traído. De bocó, que sou. Acreditei nessa gente repetidamente.

O teleférico de caçuá, que liga o eleitor à urna e espera o promitente a cada quatro anos. A Cosern vendida, com a promessa de melhor assistência e serviço. O serviço era ruim. Ficou pior. A nova gramado é uma grota de catapora, com grama morta e fauna em processo de extinção.

Pois bem. Quando a Cosern era pública, com toda ruindade, havia um escritório de representação em cada município. Bem ou mal, a cada problema os servidores locais tomavam conhecimento e proviam solução. Se fosse uma canela caída, resolvia-se em poucos minutos.

Hoje, aqui em Martins, se cair uma canela do poste, passamos no mínimo quatro horas sem energia. A gente liga para um atendente. Registra a ocorrência e informa que vai acionar a área técnica. Só que os técnicos mais próximos estão em Umarizal. Se estiverem resolvendo outro problema, ligam para Caraúbas, ou Alexandria ou Pau dos Ferros. São quatro escritórios para 52 municípios. Economia empresarial, prejuízo popular. É o socialismo brasileiro.

As oscilações de energia aqui são constantes. As lâmpadas piscam como árvore de natal. Queima de computador, televisão, geladeira é coisa comum. Ninguém vai atrás. Reclamar ao bispo? Ele tá em Mossoró, rosadinho do sol. Ao Ministério Público? Cadê os holofotes!?  Equipamentos de sucata, na terra do turismo.

Pra completar, um Juiz de Direito, plantou palmeiras imperiais sobre a rede elétrica. Pra ele, nenhum problema. Não mora aqui. Quando cai uma palma daquele monstrengo nos fios, são oito “horas do planeta”.

Agora mesmo estou no apagão do magistrado. Na última ligação, a atendente sugeriu paciência. “Anote o número do protocolo para futuras reclamações”. E eu anotei. Porque gente besta, tabaco do cão. Té mais.

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