A Igreja, a sociedade e a hipocrisia do aborto

Por Carlos Alberto Barbosa

Vamos deixar de lado a hipocrisia e colocar para o debate questões como o casamento gay, a liberação da maconha e o aborto. Tabus esses que precisam e devem ser quebrados e a hora é essa.Temos pela frente o segundo turno das eleições presidenciais com Dilma Ruosseff (PT) e José Serra (PSDB). Por que não se colocar estes assuntos em discussão?

A Igreja Católica precisa deixar de pautar a sociedade. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), por exemplo, entrou no debate sobre o aborto, que pautou a reta final da disputa presidencial, e lançou campanha “em defesa da vida”. A campanha visa reforçar a posição contrária da igreja e reunir forças em torno da “defesa da vida”.

A Regional Sul 1 da CNBB, que contempla o estado de São Paulo, divulgou longo documento, lido nas missas, que “recomenda encarecidamente” que não se vote no PT. Um absurdo isso. Uma falta de respeito até mesmo com os fiéis. A igreja fazendo política nas missas.

Por que não deixar que os fiéis opinem sobre isso ao invés de fazer campanha contra o aborto? Por que a Igreja Católica não propõe, então, uma campanha contra a pedofilia praticada por padres? Certamente é uma coisa pior do que o aborto e a sociedade hipócrita da mesma forma abomina, mas os fiéis não deixam, assim mesmo, de freqüentar as missas conduzidas por padres pedófilos.

O mesmo prega-se para os evangélicos. A ofensiva católica e evangélica contra o PT e Dilma Rousseff devido à posição dela favorável à legalização do aborto — que ela mudou na campanha — se tornou uma espécie de “cruzada” nas últimas semanas sendo um dos fatores que influenciaram na tendência de queda nos votos da presidenciável.

Simultaneamente, ressurgia a velha tática de fazer emergir fatos, agora via e-mail e Orkut, principalmente, associando a candidata petista Dilma Rousseff a uma suposta disposição de relaxar os dispositivos legais que coibem o aborto no país, assunto que provoca urticária no eleitorado religioso.

Ora,ora,ora. Está na hora da sociedade deixar a hipocrisia de lado. Em 1998, quando era ministro da Saúde, José Serra foi acusado de atender a grupos pró-aborto por normatizar a realização do aborto nos casos previstos em lei (risco de vida para a grávida ou gravidez após estupro).

Mesmo permitido desde 1940, poucos serviços públicos faziam o aborto. A normatização deu respaldo político e técnico para que mais hospitais o realizassem. Nem por isso Serra agora está sendo “crucificado” pela sociedade hipócrita.

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