“A intriga, antiga arte de destruir…”

Por Tales Costa

“A intriga, antiga arte de destruir reputações por meio de mentiras ou meias verdades.”

Intrigas no trabalho por Carolina Mouta | 26/01/2010 Quem nunca se deixou levar por uma fofoquinha no escritório? Cuidado!

Ambiente de trabalho deveria ser sempre harmônico. Afinal, salvo raras exceções, é lá que as pessoas passam, pelo menos, um terço do dia. Como tempo é bastante corrido e no dia a dia são incluídas tantas atividades, há aqueles que têm mais contato com os colegas do que com a própria família. Mas nem sempre a paz é selada nas empresas. O motivo? A intriga, antiga arte de destruir reputações por meio de mentiras ou meias verdades.

E se você é homem e disparou um “isso é coisa de mulher”, enganou-se. Foi-se o tempo em que o disseminador da discórdia era o sexo feminino. “Hoje os homens também estão se sobressaindo no assunto”, esclarece a consultora de carreira da Chess Human Resources, Michele Gelinski. “Existem chefes que estimulam a fofoca no ambiente de trabalho como forma de controle. Isso não funciona, pois gera um clima de instabilidade emocional e fragilidade nas relações” O pior é quando o fulano responsável pela fofoca – seja ele homem ou mulher – é só sorrisos e elogios para o seu alvo. Há muitas pessoas que fazem este tipo: puxadores de tapete que agem pelas costas.

De acordo com o consultor em Psicologia Organizacional e do Trabalho da WAALC, Wagner Klöckner, os principais motivos que dão o pontapé inicial aos mexericos são a inveja do outro por aspectos pessoais e profissionais, autoestima diminuída e intolerância à frustração. “Aumento de um salário ou aquisição de um novo cargo são bons exemplos”, completa Michele. Você é competitiva? Faça o teste! A pedagoga Cristina Lemos sofreu a situação na pele. A rasteira que levou foi da pessoa que ela considerava sua melhor amiga. “Trabalhávamos juntas e ela não suportou a minha promoção. Não era nem pelo salário, que não era muito maior que o dela, mas pelo pseudo status que o cargo poderia proporcionar”, conta.

A internet pode ser uma arma e tanto para os fofoqueiros. “Quanto mais rápido a intriga for veiculada, mais rápidos os seus efeitos. Veja, por exemplo, uma fofoca “jogada” na internet ou veiculada por e-mail com que rapidez atinge as pessoas”, exemplifica Wagner. E abra os olhos quando perceber que o veneninho está sendo incentivado pela chefia. “Existem chefes que estimulam a fofoca no ambiente de trabalho como forma de controle. Isso não funciona, pois gera um clima de instabilidade emocional e fragilidade nas relações”, ratifica Wagner.

Segundo o especialista, é muito difícil se resguardar de uma intriga, porque ela vem do outro e sua criação depende do que foi mobilizado ou incomodado nele. Mas se o monstrinho da fofoca assombrar você, mantenha a calma. “A forma de reação de cada um vai depender muito da organização psíquica do sujeito. Pessoas sensatas, seguras de si, com boa autoestima tendem a encarar a fofoca com mais sabedoria, não se deixando abalar”, ensina. A consultora de carreira Michele Gelinski adiciona outra tática. “Escute mais e fale menos”, aconselha. Na opinião de Wagner Klöckner, quem está na berlinda não deve demonstrar que a fofoca o atingiu. O melhor é agir como se nada estivesse acontecendo. “O comportamento contrário dissemina ainda mais a intriga”, diz. “Não procure o RH para pedir providências, mas para levar ao conhecimento de que fofocas estão ocorrendo na empresa e que seu nome está envolvido”.

E nada de sofrer calada. Quando seu nome estiver em boca de Matilde e isso começar a ocasionar problemas, enfrente a situação para não sair prejudicada. Recorra ao seu superior ou ao departamento de Recursos Humanos da empresa. “Se deixar passar, isso poderá virar uma bola de neve e você não terá mais como reverter a situação”, analisa Michele. Mas cuidado com o seu comportamento. “Não procure o RH para pedir providências, mas para levar ao conhecimento de que fofocas estão ocorrendo na empresa e que seu nome está envolvido”, orienta Wagner. Quando teve seu nome envolvido na fofoca disseminada pela falsa amiga, Cristina procurou imediatamente o conselho do RH da empresa. “Mesmo sem acreditar no que estava acontecendo, resolvi procurar os profissionais que poderiam me ajudar naquele momento. A minha não-omissão melhorou o problema, que terminou com a transferência da intrigueira para outro setor”, lembra. Caso você ainda não tenha sido vítima deste disse-me-disse, siga as dicas da consultora de carreira. “Mantenha a distância, o autocontrole, a confiança e a postura. Assim, a pessoa que disseminaria a intriga poderá perceber que não há motivos para fazê-la. Busque não discutir, senão você pode passar de vítima para agressor.

Caso a fofoca seja algo pequeno, que não faça muita diferença, ignore, entretanto, fique ligado naquela pessoa”, alerta Michele. Para não ser alvo fácil da língua alheia, o tutorial continua com os conselhos de Klöckner: “Seja amistoso com todos e não se envolva muito com ninguém. Mantenha o controle das emoções, seja humilde e colaborador”. É tiro e queda! Os especialistas garantem que estas atitudes ajudam a neutralizar a ação dos fofoqueiros de plantão. Se você está do outro lado da questão e freqüenta os grupinhos venenosos, o conselho é outro. “Não se esqueça de que você é pago para trabalhar e desenvolver as suas funções profissionais dentro de um determinado período de tempo, portanto, não o desperdice com assuntos que não sejam de interesse da empresa”, lembra Klöckner.

Quem faz a intriga também não sai ileso. Pessoas que se utilizam desse meio para subir de cargos e ganhar vantagens têm os dias contados em uma empresa. “O fofoqueiro, mais cedo ou mais tarde será identificado e ninguém gosta de conviver com esse tipo de pessoa”, explica o psicólogo Wagner Klöckner. A consultora de carreira Michele Gelinski concorda. “Esse jogo acaba virando em demissões e arruínam a sua moral e até a sua integridade, já que pode ocasionar esclarecimentos frente a frente, em que o resultado poderá ser um hospital, um tribunal de Justiça ou até mesmo em uma delegacia, pois há quem perca o controle”, adverte. E lembre-se também que, uma vez desmascarado, para sempre marcado. “Aquele que foi prejudicado pela fofoca restabelece sua credibilidade no mercado”, diz Wagner. Entendeu o recado?

“A intriga, antiga arte de destruir reputações por meio de mentiras ou meias verdades.”
Go to TOP