“A Juventude”, de Paolo Sorrentino, passa despercebido em Natal

Está em cartaz no Cinepólis Natal Shopping um filme que, pela quantidade de espectadores na sessão de anteontem (07), cerca de dez pessoas, não mereceu uma melhor atenção do público que gosta de filmes de qualidade. “A Juventude”, do diretor italiano Paolo Sorrentino, certamente constará no final do ano de grande parte das listas de melhores de 2016 exibidos no circuito brasileiro. A impressão que eu tenho é que essa “sessão de arte” do Cinepólis vem sendo subestimada pelos apreciadores de bons filmes.

Essa nova obra de Sorrentino traz no elenco três grandes atores, velhos conhecidos dos cinéfilos, Michael Caine, Harvey Keitel e Jane Fonda, esta última fazendo apenas uma ponta. Mas uma ponta feita por Miss Fonda (abaixo) corresponde a vários filmes de certas atrizes atuais.

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Sorrentino, você devem lembrar, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013 com “A Grande Beleza”, e este “A Juventude” arrebatou o prêmio de Melhor Filme no European Awards, da Academia de Cinema Europeu, entre outros, além de ter provocado polêmica em Cannes (uns adoraram, outros detestaram). Eu adorei! rs

Em “A Juventude”, Fred (Michael Caine) e Mick (Harvey Keitel), dois velhos amigos com quase 80 anos de idade cada, estão passando as férias em um luxuoso hotel. Fred é um compositor e maestro aposentado e Mick é um cineasta em atividade.

Juntos, os dois passam a se recordar de suas paixões da infância e juventude. Enquanto Mick luta para finalizar o roteiro daquele que ele acha que será seu último grande filme, Fred não tem a mínima vontade de voltar à música, apesar do incentivo da filha, com quem ele contracena em vários momentos. No hotel, os dois amigos travam conhecimento com algumas figuras excêntricas, entre elas um famoso jogador de futebol. Mas também uma cantora pop, um alpinista lacônico e a miss Universo.

O que mais me chamou a atenção no filme: a fotografia exuberante (filmagens ocorreram nos Alpes suiços); a música, muita linda; os diálogos entre Fred e Mick, espirituosos e irônicos, apesar de quase sempre estarem tratando de temas sérios.

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É um filme que trata de temas “pesados”, como velhice, doenças, morte e amor, acerto de contas com o passado, mas de forma leve, bem humorada e muito, mas muito poético mesmo. Entre esses instantes de pura poesia, destacaria a cena em que o velho maestro rege a natureza (acima). Também a cena da luneta remetendo ao passado e ao presente. Um grande filme deste diretor que honra a tradição do cinema italiano.

Se tiver afim, corra que poderá sair de cartaz nesta sexta, 10.

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