A liberdade é o meu credo

Notícia publicada no Novo Jornal hoje informa que setores da esquerda potiguar fariam “um ato em defesa de Cuba” à tarde no calçadão do centro da cidade. Não sei se ocorreu e se atraiu muita gente.

Acredito que seria mais sensato uma manifestação em prol da democracia, da liberdade de expressão e dos presos políticos da ilha. A essa eu iria. Mas onde vicejam dogmas e fé, os dois combustíveis mais potentes para a intolerância, a razão e o equilíbrio não são bem vindos.

É desalentador constatar que parte da esquerda, depois de tudo que presenciou no século passado na URSS, na América Latina, no Brasil, especialmente, e países do leste europeu, ainda apóie ditaduras. Não resisto à comparar esse pessoal com fanáticos religiosos. E a cada dia me convenço de quanto estão próximos religião e ideologia. Ambas tratam de mistérios relacionados a fé. Searas imunes à razão, portanto, é inútil se apelar à sensatez.

Se denunciamos com mais freqüência nesse espaço a ditadura cubana não é porque sejamos especialmente contra ela. Não. Deve-se muito mais à conjunturas recentes, que incluiu a morte de um dissidente, quando da visita do presidente Lula aquele país, e à greve de fome de outro, Guillermo Farinas, que já dura um mês.

Quem acompanha com certa freqüência esse blog sabe que não criticamos apenas as ditaduras, mas também estados democráticos agressores e imperialistas, como Israel e os Estados Unidos. Repudiamos a invasão do Iraque, a prisão de Guantânamo e o intolerável massacre de palestinos por parte de Israel, entre outras importantes questões contemporâneas. Temos postados aqui, com freqüência, textos que denunciam esse estado de coisas.

Defendemos, com veemência, as liberdades. Sem exceção: política, de expressão, de imprensa, de ir e vir, de credo, sobre o próprio corpo… E todos sabem o quanto elas são incompatíveis com regimes ditatoriais e autoritários.

E ainda que ditaduras como as de Cuba, Coréia do Norte, Egito e China, entre outras, oferecessem uma vida terrena edênica, mas sem liberdades, continuariam merecendo o nosso mais veemente repúdio. Entendemos que o bem estar material duradouro ou eterno não vale um único dia de liberdade na vida de um ser humano.

É nisso em que acredito. A liberdade é o meu credo.

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